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Rússia expulsa diplomata americano após escândalo de espionagem

Moscou afirma que Ryan Fogle é funcionário da CIA e foi preso por tentar recrutar um oficial russo

O Estado de S. Paulo,

14 de maio de 2013 | 12h25

MOSCOU - A Rússia declarou, nesta terça-feira, 14, o diplomata norte-americano Ryan C. Fogle "persona non grata" e ordenou sua saída imediata do país. Fogle foi detido pelas autoridades russas sob acusação de espionagem. Segundo Moscou, as ações do diplomata são uma reminiscência da Guerra Fria.

"Ações provocativas como essas no espírito da Guerra Fria não promoverão de forma alguma o fortalecimento da confiança mútua", disse o Ministério de Relações Exteriores depois de a agência de segurança russa ter informado que flagrou Fogle, funcionário da CIA, tentando recrutar um agente russo para passar informações a Washington. O ministério disse que Fogle deve retornar aos Estados Unidos "o mais rápido possível". 

O Serviço Federal de Segurança disse que Fogle, terceiro secretário da embaixada dos EUA em Moscou, foi detido durante a madrugada com um "equipamento técnico especial", um disfarce, uma grande quantia em dinheiro e instruções para recrutar seu alvo. O embaixador norte-americano Michael McFaul foi convocado mais cedo pela chancelaria russa para prestar explicações.

Propósito. Mark Galeotti, professor da Universidade de Nova York, que estuda os serviços de segurança russos, disse que a exposição pública de Fogle e as imagens divulgadas pela televisão russa sugerem que há um propósito político por trás de sua detenção. Segundo ele, este tipo de incidente com espiões acontece com alguma frequência, mas é raro que se faça tanto estardalhaço com algo no gênero.

"Geralmente, essas questões são tratadas com calma, a menos que se queira enviar uma mensagem, disse Galeotti. "Se você identifica um funcionário de uma embaixada que é um espião para o outro lado, o impulso natural é deixá-lo onde está porque, uma vez identificado, você pode manter o controle, ver com quem conversar e tudo mais. Não há razão para tanto estardalhaço, para detê-lo, expulsá-lo."

Para Galeotti, o caso Fogle não deve afetar a cooperação entre as agências de contrainteligência dos Estados Unidos e da Rússia sobre o atentado contra a maratona de Boston e os dois suspeitos da ação. "Todos os que compartilham informações de inteligência sabem que existe um processo paralelo no qual todos espionam todos sobre tudo", disse ele. / REUTERS e AP

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