REUTERS/Sergei Karpukhin
REUTERS/Sergei Karpukhin

Rússia expulsa 60 diplomatas americanos e fechará consulado dos EUA em São Petersburgo

Decisão anunciada pelo chanceler Sergei Lavrov é uma resposta à expulsão do mesmo número de representantes do território americano anunciada por Washington na segunda-feira

O Estado de S.Paulo

29 Março 2018 | 14h23
Atualizado 29 Março 2018 | 21h19

MOSCOU - A Rússia vai expulsar 60 diplomatas americanos de seu território e fechar o Consulado dos Estados Unidos em São Petersburgo como retaliação às expulsões de parte de seu corpo diplomático anunciadas por Washington na segunda-feira. Diplomatas de outros países ocidentais também devem ser expulsos, segundo o Kremlin. 

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O anúncio feito nesta quinta-feira, 29, pelo ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, é mais um passo na escalada da tensão entre seu país e o Ocidente desde que o ex-espião Serguei Skripal foi encontrado envenenado no dia 4 em Londres. O Reino Unido acusa Moscou pelo crime, mas o governo de Vladimir Putin nega qualquer envolvimento no caso.

Ainda nesta quinta, os EUA reagiram ao anúncio e disseram que mais retaliações podem ocorrer. “Temos o direito de responder. A Rússia não deveria agir como se fosse uma vítima”, afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert. Segundo Lavrov, 58 diplomatas da embaixada em Moscou e 2 do consulado em Yekaterinburgo têm uma semana para deixar a Rússia. 

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Na segunda-feira, os EUA haviam anunciado a expulsão de 60 diplomatas russos – mais que os 55 expulsos em 1986, durante a Guerra Fria, na que havia sido a mais ampla medida do tipo já adotada por Washington contra Moscou – e o fechamento do consulado em Seattle.

O Kremlin afirmou que expulsará também um número ainda não informado de diplomatas de mais de 20 países, a maioria da Europa, e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que se juntaram ao Reino Unido na ofensiva contra Moscou. Lavrov explicou que a retaliação será proporcional, sugerindo que mais de 150 diplomatas podem entrar na lista da Rússia.

Escalada.

A crise em torno do envenenamento de Skripal e da filha dele, Yulia, aumentou as tensões entre o Kremlin e o Ocidente, que chegou ao ponto mais alto em décadas e vem causando o temor de retaliações ainda mais graves, de forma oficial ou clandestina.

Londres afirma que o envenenamento foi causado por um agente nervoso soviético deixado na porta da casa da família na Inglaterra. De acordo com o Kremlin, os serviços secretos britânicos fazem as acusações para alimentar a histeria anti-Rússia.

Skripal é um ex-coronel do serviço de inteligência militar russo e delatou agentes da Rússia ao Reino Unido. Anos depois, ele foi beneficiado por um acordo de troca de espiões.

 

As relações da Rússia com o Ocidente já vinham se deteriorando desde a anexação da Crimeia pelos russos, em razão da ação de Moscou na guerra civil da Síria e das acusações de interferência russa nas eleições presidenciais americanas, em 2016.

Nesta quinta-feira, nas Nações Unidas, o secretário-geral da ONU, António Guterres, demonstrou preocupação com a situação e disse que o cenário atual lembra a atmosfera que existia na época da Guerra Fria. Guterres exigiu a retomada do diálogo entre Washington e Moscou. 

“Durante a Guerra Fria, existiam mecanismos de comunicação e controle para evitar a escalada de incidentes, para garantir que as coisas não saíssem do controle quando houvesse aumento de tensão. Esses mecanismos foram desmantelados, pois as pessoas achavam que a Guerra Fria estava acabada”, afirmou Guterres.

O analista político Alexander Gabuev, do Carnegie Moscow Center, afirmou ao Washington Post que fechar o consulado americano em São Petersburgo é uma medida “assimétrica” que aumenta a tensão. “Medida recíproca seria fechar o consulado em Vladivostok”, disse.

Outro analista ouvido pelo jornal afirmou que Moscou teve uma reação proporcional. “Eu esperava até o fechamento de dois consulados”, disse Vladimir Frolov. / W.POST, NYT, AFP e REUTERS 

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