Rússia fecha o cerco a ONGs ligadas à oposição ao Kremlin

Golos, importante entidade responsável pelo monitoramento das eleições, é o principal alvo da nova legislação

FRED WEIR , CHRISTIAN SCIENCE MONITOR, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2015 | 02h06

A Golos, maior organização comunitária de monitoramento eleitoral da Rússia, foi quase riscada da existência graças a uma lei aprovada três anos atrás que a qualificou de "agente estrangeira" - o equivalente a "espiã" em russo. Desde então, a ONG foi sujeita a uma onda contínua de investigações tributárias e criminais, incluindo uma proibição oficial ao exercício de sua função. Agora, uma nova lei pode acabar de vez com o que restou da Golos.

A legislação, assinada no fim de semana passado pelo presidente Vladimir Putin, transforma em crime o contato com grupos não governamentais e indivíduos "indesejáveis" - definidos de acordo com uma lista preparada pelo procurador-geral da Rússia - independentemente de sua localização geográfica. A violação da lei levará ao fechamento dos escritórios locais e até seis anos de detenção para os russos acusados de cooperação com o grupo.

Além de calar de vez a Golos, isso poderia silenciar boa parte da sociedade civil russa simplesmente por se comunicar com grupos que, de acordo com o procurador, representariam uma ameaça à ordem constitucional da Rússia, à defesa do país ou à segurança nacional.

"Se um russo for convidado para uma conferência no exterior, as autoridades podem analisar a lista de patrocinadores do evento e impedir a viagem da pessoa se detectar o envolvimento de grupos indesejáveis", disse Nikolai Petrov, professor da Escola Superior de Economia, em Moscou.

Agora, com a aproximação das eleições de 2016 para a Duma, alguns especialistas dizem que o Kremlin está adotando medidas para impedir a repetição do tumulto. O principal partido pró-Kremlin, Rússia Unida, está em baixa nas pesquisas de opinião. Na semana passada, o partido sofreu uma derrota esmagadora em Kaliningrado. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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