Rússia investiga denúncias de Lugovoi sobre Reino Unido

Ex-agente afirma que Litvinenko trabalhava para os serviços secretos britânicos

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

A Rússia anunciou a abertura de um inquérito para investigar o assassinato do ex-agente da KGB Alexander Litvinenko, morto em novembro de 2006, em um movimento aparentemente calculado para aumentar as tensões com o Reino Unido. A decisão foi adotada pelo Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia após as declarações feitas pelo empresário e ex-agente da KGB Andrei Lugovoi numa entrevista coletiva em Moscou, no fim de maio. Na ocasião, ele negou participação no assassinato e afirmou que Litvinenko trabalhava para os serviços secretos britânicos MI-6, que também quis contratar os seus serviços. "De fato, eles me pediram para reunir informação comprometedora sobre o presidente Vladimir Putin e os membros de sua família", disse Lugovoi na entrevista coletiva. Ele afirmou que Boris Berezovski, magnata russo exilado em Londres, também trabalha para os serviços de inteligência britânicos. O FSB anunciou que a investigação é apenas um dos pontos da declaração de Logovoi. O serviço de segurança apenas confirmou que a investigação foi motivada pelas declarações de Logovoi. Crise diplomática A Rússia parece estar levando as considerações de Lugovoi a sério e há grandes chances de que o país rejeite o pedido de extradição britânico e a demanda por cooperação nas investigação acusando Londres de mover uma campanha de investigação contra o Kremlin. O presidente russo, Vladimir Putin, por exemplo, ignorou o inquérito da Scotland Yard sobre o caso, classificando-o como "estúpido e sem sentido" durante uma entrevista para o jornal The Times concedida na véspera do início da reunião do G8, na última semana. No dia 28 de maio, Londres enviou a Moscou a solicitação de extradição de Lugovoi. A Promotoria britânica informou que havia provas suficientes para processar o ex-agente russo pelo assassinato de Litvinenko. Fontes da Embaixada do Reino Unido em Moscou reafirmaram, porém, que o caso Litvinenko é "criminal, e não de espionagem", ao comentar a decisão do FSB. As autoridades russas declararam que a Constituição do país proíbe expressamente a extradição de seus cidadãos. Em seguida, exigiram que o Reino Unido apresente provas para estudar se Lugovoi pode ser levado à Justiça na Rússia. "Em lugar de simplesmente pedir a extradição de Lugovoi, deveriam enviar provas suficientes para que o caso seja levado aos tribunais", disse recentemente o presidente Putin. O ex-agente secreto afirmou que coopera "ativamente" com os investigadores russos. Mas negou-se a comentar a abertura do processo por espionagem. Segundo a agência Interfax, Lugovoi afirmou que tem cooperado "ativamente com a investigação russa, inclusive no que se refere aos assuntos relativos à segurança" do Estado. A decisão russa é apenas mais um capítulo em um caso repleto de intrigas e reviravoltas. Tanto Putin quanto Berezovski já foram citados como possíveis mandantes do crime - Lugovoi e Litvinenko já trabalharam em ocasiões separadas para o magnata russo. Crítico feroz de Putin, Litvinenko denunciou em 1998 um plano do Kremlin para assassinar Berezovski. Berezovski - que é desafeto do presidente russo, Vladimir Putin, e que já afirmou publicamente ser favorável a um golpe para tirá-lo do poder - também teria sido contratado pelos serviços de espionagem, segundo Lugovoi, e possuiria motivos para querer a morte de Litvinenko. O caso O ex-espião foi envenenado em Londres no dia 1 de novembro de 2006, após se encontrar no hotel Millenium com Lugovoi e o empresário russo Dmitri Kovtun. Depois do encontro, Litvinenko almoçou num restaurante japonês com o italiano Mario Scaramella, que teria informações sobre o assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya, crítica do governo russo. Politkovskaya foi morta a tiros em seu apartamento em Moscou em outubro de 2006. Após passar três semanas agonizando em um hospital de Londres, Litvinenko morreu no dia 23 de novembro. Dias antes, o ex-agente escreveu uma carta na qual acusou Putin de ter ordenado o seu assassinato. Desde o começo das investigações, Lugovoi e Kovtun negaram participação no caso e disseram que foi Litvinenko quem tentou envenená-los. Ambos foram tratados por contaminação por polônio-210. Após a morte de Litvinenko, a polícia britânica encontrou traços da substância em vários escritórios e hotéis visitados por Lugovoi, e até no avião da British Airways em que ele viajou de volta para Moscou. Matéria ampliada às 14h25 para acréscimo de informações

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