Rússia já considera derrota de Assad no levante sírio

O vice-chanceler russo, Mikhail Bogdanov, enviado do Kremlin para o Oriente Médio, reconheceu ontem que as forças rebeldes que buscam depor o ditador sírio, Bashar Assad, estão avançando cada vez mais na luta contra o governo e poderão ganhar a guerra civil. Segundo ele, a Rússia tem planos para remover seus cidadãos da Síria, se for necessário.

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2012 | 02h08

"É preciso encarar os fatos. O regime e o governo da Síria estão perdendo o controle do território cada vez mais", declarou Bogdanov, segundo a agência estatal russa RIA. "Infelizmente, a vitória da oposição síria não pode ser descartada."

Os comentários representam um sinal claro de que a Rússia está se preparando para a possível derrota de Assad no conflito que já matou mais de 40 mil pessoas desde março de 2011.

"Estamos lidando com questões de preparativos para a remoção. Temos planos de mobilização e buscamos esclarecimento sobre a localização de nossos cidadãos na Síria", afirmou Bogdanov.

A Rússia tem protegido o governo de Assad de sanções do Conselho de Segurança da ONU e resistiu à pressão ocidental para se unir aos esforços para convencer o ditador a deixar o poder. Bogdanov disse que seu país continuará a insistir em uma solução pacífica.

Explosões. A agência estatal de notícias síria Sana afirmou ontem que a explosão de uma bomba perto de uma escola localizada num subúrbio de Damasco matou 16 pessoas, a maioria mulheres e crianças. A detonação de um carro-bomba em Jdaidet Artuz, também perto da capital síria, matou 8 civis, que também seriam mulheres e crianças.

A primeira explosão, ocorrida em Qatana, a sudoeste de Damasco, faz parte da mais recente onda de ataques semelhantes no interior e nas proximidades da capital. Segundo o governo, pelo menos 25 pessoas morreram em razão dessas ações no últimos dois dias.

Embora ninguém tenha assumido a responsabilidade pelos ataques, o fato de alguns terem como alvo prédios governamentais, que resultaram na morte de autoridades, sugere que os autores são rebeldes que não teriam capacidade de confrontar diretamente as forças de Assad em Damasco.

O governo diz que os ataques são realizados por "terroristas", palavra pela qual as autoridades se referem aos combatentes rebeldes.

No primeiro ataque de ontem, um carro estacionado explodiu nas proximidades de uma escola numa área residencial de Qatana, de acordo com a Sana. As informações divulgadas pela agência de notícias citam fontes médicas de hospitais próximos ao local do ataque. Segundo as mesmas fontes, dezenas de pessoas ficaram feridas.

O ataque em Jdaidet Artuz foi confirmado pelo Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, grupo opositor com base em Londres. Segundo a entidade, no entanto, quatro pessoas - e não oito - morreram no atentado. / REUTERS

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