Rússia lamenta decisão de Bush sobre sistema antimísseis

A Rússia lamentou a decisão dos Estados Unidos, de começar a desenvolver interceptadores estratégicos para defender o país contra um ataque de mísseis balísticos, uma ação que para Moscou irá desestabilizar o sistema de segurança internacional e levará a uma nova corrida armamentista. O Ministério do Exterior russo emitiu um comunicado de duas páginas, onde também expressou preocupação de que o desenvolvimento de tal sistema de defesa antimísseis irá desviar recursos de verdadeiras ameaças, acima de tudo a luta contra o terrorismo internacional. Em Tóquio, o ministro do Exterior Igor Ivanov disse que o sistema não pode "prejudicar os interesses de segurança da Rússia", divulgou a agência de notícias Interfax. "Nem pode tal ação encorajar uma corrida armamentista", teria dito Ivanov. O desenvolvimento de sistemas de defesa antimísseis era fortemente limitado pelo Tratado Antimísseis Balísticos (ABM) de 1972, que expirou em junho, seis meses depois que o presidente dos EUA, George W. Bush, anunciou que Washington estava se retirando do acordo de 30 anos. O marechal Igor Sergeyev, um assessor de assuntos estratégicos do presidente Vladimir Putin, disse à Interfax que Washington não ofereceu a Moscou "nenhum argumento de peso" de que o novo sistema não visava à Rússia. Sergeyev também afirmou que a Rússia estava preocupada com sistemas de radar na Dinamarca e Grã-Bretanha, que poderiam ser usados como apoio para o novo sistema antimísseis. Os EUA dizem que um sistema de defesa antimísseis é necessário para proteger o país contra possíveis ataques, primariamente de ?Estados-párias? que possuem mísseis balísticos. "Moscou lamenta acompanhar a ativação da tentativa, por parte dos EUA, de criar a chamada ´defesa global antimísseis´. Agora, depois de tomar a decisão política de instalar até 2004 vários interceptadores estratégicos contando com apoio no espaço, a realização desses planos entrou numa nova fase desestabilizadora", afirma o comunicado do Ministério do Exterior. A Rússia, que ficou para trás em relação ao EUA no desenvolvimento de tecnologia, baseada no espaço, que poderia ser usada em sistemas de defesa antimísseis, está extremamente preocupada com esse aspecto do programa de armas de Washington. Moscou tem dito consistentemente que o Tratado ABM deveria ser mantido em vigor. "Fazer com que seus princípios caiam no esquecimento pode levar apenas ao enfraquecimento da estabilidade estratégica, a uma nova corrida armamentista sem sentido, incluindo a disseminação de armas de destruição em massa, e o desvio de recursos necessários para conter os verdadeiros desafios e ameaças de hoje. Acima de tudo, o terrorismo internacional", considerou o comunicado. O comunicado da Rússia foi emitido um dia depois que Bush ordenou ao Departamento de Defesa dar início a trabalhos para a instalação, nos próximos dois anos, dos primeiros interceptadores que devem formar a base do sistema de defesa antimíssil. O administração Bush pretende pedir ao Congresso para alocar US$ 1,5 bilhão para 2004-2005, em cima dos US$ 8 bilhões já contemplados no orçamento para o projeto.

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