Rússia lança corrida pelo controle do Pólo Norte

Moscou alega que território reivindicado, rico em petróleo e gás, é extensão da Sibéria

THE CHRISTIAN SCIENCE MONITOR E AP, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2002 | 00h00

Moscou - Dois navios russos chegaram ontem ao Pólo Norte, numa expedição que deve intensificar ainda mais a corrida entre vários países pelo controle do território ártico. Dois minissubmarinos russos tripulados serão lançados hoje, através de um buraco na plataforma de gelo, no Oceano Ártico, onde começarão a explorar o fundo do oceano. O objetivo é recolher amostras para análise científicas e içar uma bandeira russa de titânio - simbolizando a reivindicação da Rússia sobre o território, que tem cerca de 730 mil quilômetros quadrados (maior que os de Alemanha e França somados) e conteria um quarto das reservas de petróleo e gás ainda não descobertas do mundo. O controle territorial do Pólo Norte, hoje administrado pela Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISBA, na sigla em inglês), sempre foi uma discussão teórica, uma vez que as plataformas de gelo impediam o acesso marítimo. Mas o aquecimento global, e o conseqüente derretimento da calota polar, reacenderam o interesse pela exploração econômica da área. A Lei de 1982 da Convenção Marítima estabelece um limite territorial marítimo de 19 quilômetros a partir da costa de cada país, além de uma "zona econômica" de 320 quilômetros, sobre a qual os países têm direitos exclusivos. A lei, no entanto, permite que um país amplie essa zona se conseguir provar que o leito marítimo é uma extensão de seu território geológico.No caso da Rússia, o país quer provar que a Cordilheira de Lomonosov, no fundo do oceano, é uma extensão da plataforma da Sibéria. Em 2001, a ONU rejeitou o pedido russo de obter controle sobre o território. Em janeiro, cientistas russos voltaram da região afirmando ter encontrado evidências para corroborar o pedido do governo. Além da Rússia, outros países estão intensificando suas pesquisas sobre o território. A Dinamarca também quer provar que a Cordilheira de Lomonosov é extensão da Groenlândia. O Canadá planeja gastar US$ 7 bilhões para construir e operar oito navios de patrulha. O Congresso americano estuda autorizar um orçamento de US$ 8,7 bilhões para a Guarda Costeira, que permitiria, entre outras coisas, a construção de dois novos navios quebra-gelo.

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