Valentyn Ogirenko/Reuters
Valentyn Ogirenko/Reuters

Rússia lança segundo ataque de mísseis sobre Ucrânia; Kiev diz ter matado 50 soldados russos

Ministro da Defesa ucraniano Oleksii Reznikov afirmou que quem estiver preparado e apto para 'segurar uma arma' pode se juntar às forças de defesa territorial

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2022 | 09h00

A Ucrânia está sendo atingida por uma segunda onda de mísseis, de acordo com um assessor próximo do presidente Volodmir Zelenski. Um correspondente da agência de notícias Reuters ouviu uma série de explosões em Kiev às 12h no país (cerca de 7h de Brasília). Um dirigente do Ministério do Interior da Ucrânia disse que centros de comando em diversas cidades, inclusive Kiev, foram alvos de ataques por mísseis. 

De acordo com dirigentes do governo da Ucrânia, a primeira onda de bombas começou pouco depois do anúncio feito pelo presidente Vladimir Putin de que seria iniciada uma operação militar. Uma testemunha disse à agência Reuters que há uma fumaça preta saindo do prédio da sede do serviço de inteligência do Ministério da Defesa. 

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Pelo menos 18 pessoas morreram na cidade de Odessa em um ataque, de acordo com as autoridades da região. 

A Ucrânia afirmou ainda que destruiu quatro tanques russos em um estrada ao leste de Kharkiv e matou 50 soldados próximo a uma cidade na região de Luhansk, além de ter abatido um sexto avião da Rússia. O país liderado por Vladimir Putin negou que a aeronave ou veículos tenham sido destruídos. O serviço de fronteira da Ucrânia afirmou que três de seus funcionários foram mortos ao sul da região de Kherson e muitos ficaram feridos. 

Convocação em Kiev

O ministro da Defesa ucarniano Oleksii Reznikov afirmou nesta quinta-feira, 24, que quem estiver preparado e apto para "segurar uma arma" pode se juntar às forças de defesa territorial. Além disso, a polícia disse que vai distribuir armas para veteranos. 

Contexto local

A invasão ocorre algumas horas depois de a Rússia afirmar ter recebido um pedido de ajuda dos separatistas pró-Rússia para, segundo eles, combater o Exército ucraniano e "repelir a agressão das forças armadas e formações da Ucrânia", embora autoridades em Kiev digam que não houve tal agressão, e nenhuma está planejada. 

Desde janeiro o governo americano vem alertando que uma invasão russa é "iminente", mas nesta semana a situação ganhou uma nova escalada após Putin reconhecer as regiões separatistas de Donetsk e Luhansk como independentes. 

Autoridades dos Estados Unidos, da Otan e da União Europeia disseram na terça-feira, 22, que as forças russas começaram a invadir essas regiões controladas por separatistas apoiados pelo Kremlin, que Putin disse reconhecer como independentes. 

Nesta quarta-feira, mais cedo, o Parlamento ucraniano aprovou por ampla maioria o estado de emergência proposto por Zelenski, mobilizando seus reservistas de 18 a 60 anos, e Kiev anunciou que havia sido vítima de um novo ataque cibernético em massa.

Sanções

Na comunidade internacional, a União Europeia anunciou, por seu papel no reconhecimento das regiões separatistas da Ucrânia, sanções contra o ministro da Defesa e os chefes militares russos, o chefe de gabinete do Kremlin, o ministro do Desenvolvimento Econômico e a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. As sanções publicadas no Diário Oficial da UE consistem no congelamento de bens e na proibição de vistos contra os afetados. 

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Desde que pagou um alto preço pela anexação da do território ucraniano em 2014, a Rússia tentou tornar sua economia à prova de sanções e isolamento.

Por sua vez, o presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou nesta quarta-feira sanções contra a empresa encarregada de operar o gasoduto Nord Stream 2, que liga a Rússia à Alemanha. A medida foi anunciada após Berlim suspender o controverso gasoduto, um dia antes.

No dia anterior, os EUA já haviam tornado públicas as medidas contra os bancos e oligarcas russos, denunciando o "início de uma invasão russa" na Ucrânia. A Rússia prometeu uma resposta "forte" e "dolorosa" às sanções americanas.

As medidas permanecem modestas em comparação com as anunciadas no caso de uma invasão, e Moscou tem quase US$ 640 bilhões em reservas cambiais e US$ 183 bilhões em um fundo soberano para lidar com elas. 

Refugiados

Kiev vem há oito anos lutando contra os separatistas no leste do país, um conflito que já deixou mais de 14 mil mortos. Muitos temem que a crise possa culminar no pior conflito na Europa desde 1945, quando terminou a 2ª Guerra.

A ofensiva russa pode desencadear uma nova crise de refugiados com até 5 milhões de pessoas deslocadas, alertou a embaixadora americana na ONU em Nova York.

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