Rússia lembra as vítimas do massacre de Beslan

Há três anos, 334 pessoas, entre adultos e crianças, morreram tragicamente após seqüestro de escola

EFE

01 de setembro de 2007 | 09h30

A Rússia lembra neste sábado, 1, com cerimônias e comícios as vítimas do massacre na escola número 1 da cidade de Beslan, na Ossétia do Norte, onde há três anos um comando terrorista checheno seqüestrou cerca de 1.200 pessoas, em sua maioria crianças.   "Aprendemos lições com a tragédia de Beslan e o ataque guerrilheiro à cidade de Nazran, na Inguchétia, em 2004", disse Dmitri Kozak, representante do presidente Vladimir Putin para o distrito federal Sul. Ele falou após depositar flores no memorial de Beslan, segundo a agência russa "Interfax".   Kozak destacou que no mundo todo o número de ataques terroristas aumentou 50%, mas no sul da Rússia diminuiu 40%. A razão, acrescentou, foi a criação de novas estruturas de organização nas forças de segurança.   Dificilmente as estatísticas oficiais poderão servir de consolo aos parentes e amigos dos 334 mortos, entre eles 186 crianças. Até hoje eles tentam descobrir toda a verdade sobre como aconteceu o banho de sangue.   A festa do Dia do Saber na Rússia, que marca o início do ano letivo, no dia 1 de setembro de 2004, se transformou num pesadelo em Beslan, quando a escola número 1 foi tomada por um comando checheno. Os terroristas, 32 segundo a versão oficial, se entrincheiraram na escola com seus reféns como escudos humanos. Suas exigências eram o fim da guerra e o reconhecimento da independência da Chechênia.   Às 13h05 do dia 3 de setembro, 52 horas depois do começo do seqüestro, houve uma explosão, possivelmente acidental, segundo a investigação oficial, no ginásio onde os terroristas mantinham seus reféns. E então começou o massacre. Alguns parentes das vítimas e testemunhas garantem que a explosão foi resultado de um tiro de canhão de um dos carros de combate que cercavam a escola. Outros afirmam que as forças de segurança usaram lança-chamas.   O único terrorista sobrevivente do comando checheno, Nurpasha Kulayev, foi julgado e condenado em maio de 2006 à cadeia perpétua.   Numa reunião com mães que perderam seus filhos em Beslan, o presidente da Duma (Câmara dos Deputados), Boris Grizlov, disse que as perícias pedidas pela investigação ficarão prontas em janeiro de 2008.   Atos em memória das vítimas começaram neste sábado em toda a república da Ossétia do Norte, vizinha da Chechênia, cercadas por medidas de segurança extraordinárias. A cerimônia principal será na segunda-feira, às 13h05 (8h05 de Brasília), hora em que aconteceu a primeira explosão. Nas ruínas da escola, os parentes das vítimas farão um minuto de silêncio e soltarão 334 balões brancos.   Organizações de defesa dos direitos humanos e de parentes de vítimas de atentados terroristas convocaram vários atos em Moscou e em São Petersburgo. Na capital, o terceiro aniversário do começo da tragédia coincide com as festividades do Dia da Cidade, tradicionalmente no primeiro fim de semana de setembro. A decisão da Prefeitura de manter as festas causou polêmica.

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