Alexander Zemlianichenko Jr/AP
Alexander Zemlianichenko Jr/AP

Rússia move tropas e tanques para o leste da Ucrânia, diz primeiro-ministro da Letônia

Fontes próximas da inteligência dos EUA confirmaram à CNN que tropas russas cruzaram a fronteira em direção à Donbass depois que Putin reconheceu a região como 'independente'

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2022 | 14h33

KIEV - Tropas da Rússia estão se movendo para a região do leste da Ucrânia, afirmou o primeiro-ministro da Letônia nesta quarta-feira, 23. As regiões separatistas do leste do país foram reconhecidas como "independentes" esta semana pelo presidente Vladimir Putin, em um movimento que teria o objetivo de facilitar o envio de forças para o local.

A declaração foi dada pelo premiê Arturs Krišjānis Kariņš durante entrevista à rede de televisão americana CNN. O canal também cita fontes familiarizadas com as últimas avaliações da inteligência dos Estados Unidos confirmando a informação.

"De acordo com as informações à minha disposição, Putin está movendo forças e tanques adicionais para os territórios ocupados de Donbass", disse Kariņš. "Em qualquer definição, isso é considerado uma travessia de um território soberano para um país vizinho."

Segundo o canal, duas fontes próximas da inteligência americana confirmaram que tropas russas de fato cruzaram a fronteira em direção à Donbass desde que Putin reconheceu as regiões de Donetsk e Luhansk como independentes. Após o reconhecimento, Putin emitiu uma ordem de envio de "forças de paz" para a região.

A Rússia teria mobilizado de um a dos grupos táticos de batalhão, a principal força de combate do país, cada um com cerca de 800 solados, informou a CNN.

Na última terça-feira, 22, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, descreveu os eventos na Ucrânia como "início de uma invasão russa", o que motivou a imposição de mais sanções a pessoas e instituições financeiras do país. Porém, funcionários do governo se recusaram a confirmar se tropas russas adicionais entraram em Donbass.

O premiê da Letônia, que é um país membro da Otan, confirmou a afirmação de Biden de que as sanções de agora são "apenas o começo" da resposta ocidental à Rússia. "O que estamos vendo agora é a primeira onda de sanções. Se Putin move unidades militares para a Ucrânia, o mundo democrático responde imediatamente, dentro de um dia, e em todos os fusos horários, com sanções coordenadas e muito profundas", disse. "Se houver mais movimentos, haverá mais sanções e elas serão cada vez mais profundas."

As sanções da União Europeia contra a Rússia já entraram em vigor, tendo como alvo várias empresas, juntamente com 351 parlamentares russos que votaram a favor da pedindo a Putin que reconhecesse as regiões rebeldes, 27 altos funcionários do governo, executivos de negócios e altos oficiais militares.

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No leste da Ucrânia, onde um conflito de oito anos entre separatistas apoiados pela Rússia e forças ucranianas matou quase 14.000 pessoas, a violência aumentou novamente. Um soldado ucraniano foi morto e outros seis ficaram feridos após bombardeios rebeldes, disseram militares ucranianos à agência Associated Press. Autoridades separatistas relataram várias explosões em seu território durante a noite e três mortes de civis.

Enquanto isso, em São Petersburgo, centenas de pessoas se reuniram em apoio às autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Luhansk no leste, enquanto a Rússia marcou o Dia do Defensor da Pátria, que celebra os veteranos e militares ativos do país.

Após semanas de tensões crescentes, Putin tomou uma série de medidas esta semana que aumentaram dramaticamente a escalada. Primeiro, ele reconheceu a independência dessas regiões separatistas . Em seguida, disse que o reconhecimento se estende até mesmo a grandes partes dos territórios agora ocupados pelas forças ucranianas, incluindo o principal porto de Mariupol, no Mar de Azov. Finalmente, os legisladores lhe deram autoridade para usar a força militar fora do país - formalizando efetivamente uma implantação militar russa nas regiões rebeldes.

Putin estabeleceu três condições que ele disse serem as únicas maneiras de sair da crise: pediu a Kiev que reconheça a soberania da Rússia sobre a Crimeia, a península do Mar Negro que Moscou anexou da Ucrânia em 2014; que renuncie à sua tentativa de ingressar na Otan e desmilitarização parcial. As duas primeiras demandas foram anteriormente rejeitadas pela Ucrânia e pelo Ocidente como inaceitáveis.

O presidente ucraniano Volodmir Zelenski reiterou seu apelo por conversas com Putin. “Muitas vezes sugeri ao presidente da Rússia que se sentasse à mesa de negociações e conversasse. Esta é uma questão de diálogo, não uma questão de 'condição'”, disse ele após uma reunião com os presidentes da Polônia e da Lituânia. O Kremlin já havia descartado ligações.

Putin foi evasivo quando questionado se havia enviado tropas russas para a Ucrânia e até onde elas poderiam ir. Além disso, líder separatista de Donetsk, Denis Pushilin, disse que atualmente não há tropas russas na região. As declarações de Pushilin contradizem as de Vladislav Brig, membro do conselho local separatista em Donetsk, que disse na terça-feira que as tropas russas já haviam entrado./AP

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