Rússia não aceita solução imposta para Kosovo, diz ministro

O ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, disse nesta quinta-feira, 18, em Belgrado, que é "absolutamente inaceitável" para seu governo uma solução imposta para o futuro estatuto do Kosovo e defendeu a continuação das negociações entre Belgrado e Pristina.Lavrov destacou a iniciativa russa de enviar ao Kosovo uma missão do Conselho de Segurança da ONU para observar a situação na área e assegurou que a resolução 1244, que inclui o plano de paz de 1999, "não foi cumprida em alguns de seus aspectos cruciais"."Apoiamos a posição de Belgrado de que a resolução 1244 deve ser plenamente cumprida", disse Lavrov após uma reunião com o presidente sérvio, Boris Tadic.Os países membros do Conselho de Segurança "devem ver com seus próprios olhos a situação no Kosovo antes de iniciar o debate sobre todos os aspectos de solução do assunto", disse Lavrov."Estamos de acordo (com a posição sérvia) que a missão deve ter o acesso aos enclaves sérvios", dispersados pelo Kosovo, onde se concentra essa minoria que denuncia estar mal protegida e discriminada.A delegação do Conselho de Segurança possivelmente visitará Belgrado e Pristina na próxima semana para ver em que medida foram cumpridas as normas democráticas exigidas pela comunidade internacional no Kosovo.Essa província sérvia está povoada por uma maioria arrasadora de albaneses que aspiram à independência, à qual Belgrado se opõe categoricamente.O Conselho de Segurança deveria aprovar uma resolução que definiria o estatuto final do Kosovo após um debate sobre o plano do mediador da ONU Martti Ahtisaari, que prevê a concessão à província de uma independência tutelada, o que os Estados Unidos apóiam e assim como a maioria dos países europeus.Tadic destacou que para a Sérvia é "inaceitável qualquer forma de independência do Kosovo, e nesse sentido Belgrado não aceita o plano de Ahtisaari"."Tal solução seria um precedente perigoso, que teria conseqüências graves para a estabilidade dos Bálcãs, mas também de outros focos de crise no mundo", afirmou Tadic, assinalando que o "Kosovo não representa um caso único".

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