Rússia não apoiará sanções à Síria na ONU, diz Medvedev

Para presidente russo, pressões adicionais não ajudarão a resolver a crise no país, que já[br]deixou 2,6 mil mortos

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

A Rússia anunciou ontem que não apoiará sanções contra a Síria, no dia em que a ONU afirmou que mais de 2,6 mil pessoas foram mortas na repressão do regime de Bashar Assad aos levantes da população.

Segundo o presidente russo, Dmitri Medvedev, "pressões adicionais (a Damasco) não ajudarão a resolver a crise". A afirmação foi uma resposta ao governo francês, que cobrou uma atitude mais firme do Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas em relação à violência na Síria.

"É um escândalo a ONU não ter uma posição clara diante desta crise terrível", disse o chanceler francês, Alain Juppé, depois de seu país, juntamente com os demais integrantes europeus no CS, ter circulado uma nova proposta de resolução com sanções a Assad e membros do regime.

Com a relutância da Rússia, a questão permanece emperrada há meses no conselho. Além de Moscou, Brasil, China, África do Sul e Índia já manifestaram oposição a sanções a Assad nesse momento.

A alternativa proposta pela Rússia seria a de uma resolução condenando a violência, "balanceada e direcionada aos dois lados". Para americanos e europeus o momento de apenas condenar já passou.

A Rússia possui interesses estratégicos na Síria, um aliado desde a Guerra Fria. O porto de Latakia, o maior da Síria, é usado como entreposto militar dos russos. Além disso, existe a insatisfação de Moscou com o desrespeito da Otan à Resolução 1.973 do CS, que estabeleceu uma zona de exclusão aérea na Líbia - um precedente no caso de uma intervenção maior na Síria.

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