Rússia não permitirá utilizar a ONU para castigar o Irã

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, disse nesta sexta-feira que Moscou não permitirá a utilização do Conselho de Segurança da ONU para "castigar o Irã" por seu programa nuclear. "Vamos nos opor a qualquer tentativa de utilizar o Conselho de Segurança para castigar o Irã ou de aproveitar o programa nuclear de Teerã para promover planos de uma mudança de regime", disse Lavrov em entrevista à agência kuwaitiana Kuna.A Chancelaria russa publicou a entrevista em seu site enquanto o próprio Lavrov estava reunido com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que conclui hoje em Moscou uma viagem que já passou por Tóquio, Seul e Pequim centrada na crise norte-coreana.Com suas palavras, Lavrov respondeu às declarações de Rice ao chegar a Moscou, quando disse que a recente imposição de sanções pela ONU à Coréia do Norte por seu teste nuclear poderia facilitar a adoção de medidas mais duras contra o Irã por seu programa de enriquecimento de urânio no Conselho de Segurança.O ministro de Exteriores russo insistiu em que "a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não tem fundamentos para afirmar que o programa nuclear do Irã contém um componente militar", e não apenas civil como afirma o regime de Teerã.Lavrov admitiu que o programa atômico iraniano suscita uma série de "suspeitas", e que a AIEA tem sobre à mesa "perguntas que não receberam respostas", por isso instou Teerã a responder a essa preocupação internacional."Mas tudo isso não significa que se pode afirmar que existe uma ameaça para a paz e a segurança, enquanto só uma ameaça assim poderia justificar a aplicação de sanções", insistiu o ministro russo.Lavrov acrescentou que "se podem discutir diferentes medidas de pressão", mas estas devem apontar a um só objetivo: abrir o terreno para as negociações com o Irã sobre seu programa nuclear iraniano por parte de Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha.

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