Rússia nega acusações de Kiev sobre presença militar na Ucrânia

Presidente ucraniano convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança e cancelou viagem à Turquia

O Estado de S .Paulo

28 de agosto de 2014 | 14h25

KIEV - A Ucrânia acusou a Rússia nesta quinta-feira, 28, de levar tropas para o sudeste ucraniano em apoio a rebeldes separatistas. Com isso, o presidente Petro Poroshenko cancelou a viagem que faria à Turquia e convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança. "Tropas russas foram realmente trazidas para dentro da Ucrânia", afirmou.

A Rússia nega estar intervindo na Ucrânia, seja enviando armamentos aos rebeldes ou soldados pela fronteira. "Nós estamos cientes da divulgação desse "embuste" de informação e nos vemos obrigados a decepcionar seus autores estrangeiros", disse o general Igor Konashenkov, do Ministério da Defesa, à agência Interfax. "A informação existente nesse material não tem nenhuma relação com a realidade."

O presidente francês, François Hollande, declarou que seria "intolerável e inaceitável” a presença de tropas russas no território ucraniano.

Segundo o conselho de segurança e defesa da Ucrânia, a cidade fronteiriça de Novoazovsk e outras partes do sudeste estavam sob controle de forças russas que, junto com os rebeldes, organizam uma contra-ofensiva. "Um contra-ataque de tropas russas e unidades separatistas está em andamento", disse o conselho em uma publicação no Twitter.

Segundo uma fonte militar, forças separatistas também tomaram Savur-Mohyla, uma colina ao leste da cidade de Donetsk que permite o domínio estratégico sobre grandes áreas ao redor.

O primeiro-ministro da autoproclamada República Popular de Donetsk, Alexander Zakharchenko, disse que as forças rebeldes haviam ganhado espaço no Mar de Azov e seu objetivo é chegar até a grande cidade portuária de Mariupol. Segundo ele, há três mil voluntários russos servindo nos tanques rebeldes.

A mais recente escalada na crise da região, que já dura cinco meses, ocorre dois dias após os presidentes Poroshenko e Vladimir Putin terem realizado as primeiras conversas em mais de dois meses e concordado em trabalhar para um processo de paz.

O primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, pediu aos Estados Unidos, à União Europeia e a países do G7 "para congelar os ativos e finanças russos até que a Rússia retire suas forças armadas, equipamentos e agentes".

Avanços rebeldes nesta semana abriram uma nova frente no conflito pouco após o Exército ucraniano ter parecido tomar a dianteira do confronto, virtualmente confinando os separatistas em seus principais bastiões de Donetsk e Luhansk.

Um relatório da ONU nesta semana disse que mais de 2.200 pessoas foram mortas desde o início da crise ucraniana, além das 298 que morreram quando um avião da Malásia foi abatido sobre a região de Donetsk em julho. / REUTERS

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