Kirill Kudryavtsev/Reuters
Kirill Kudryavtsev/Reuters

Rússia nega interferência em eleições americanas após indiciamento de ex-assessores de Trump

Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou não haver provas de que seu país tenha atuado para interferir no processo eleitoral americano

O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2017 | 16h33

MOSCOU - O governo russo voltou a negar nesta terça-feira, 31, qualquer interferência na eleição à presidência dos Estados Unidos em 2016, num momento em que a investigação se acelera em Washington com o indiciamento de três ex-assessores do presidente Donald Trump.

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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que não existe provas de que seu país tenha atuado para interferir no processo eleitoral americano.

"Nós somos acusados de interferir, não apenas nas eleições dos Estados Unidos, mas também em outros países, sem uma única evidência", disse Lavrov durante uma coletiva de imprensa em Moscou.

"Os americanos afirmam que há provas. São irrefutáveis, mas são secretas. Suas desculpas são ridículas visto a gravidade das acusações contra nós", ressaltou Lavrov. "A investigação é conduzida há nove meses. Se houvesse uma prova sequer, teria havido vazamentos", acrescentou.

Trump acusa ex-chefe do FBI de fraudar investigação sobre Hillary

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, denunciou acusações "absolutamente ridículas, gratuitas e sem fundamentos". "Esperamos que (esta investigação) não contribua para um reforço da histeria russofóbica já latente", declarou Peskov a jornalistas, dizendo esperar que "com o tempo, a sabedoria prevaleça".

"Trata-se de uma caso interno nos Estados Unidos, mas nós acompanhamos com interesse. O mais importante é que não atinja os nossos cidadãos, porque nós sempre iremos defender os interesses de nossos cidadãos", acrescentou.

Indiciamento 'ridículo'. Na segunda-feira, três integrantes da equipe de campanha de Donald Trump à presidência dos EUA foram indiciados por seus contatos com a Rússia.

O procurador especial Robert Mueller indiciou o advogado Paul Manafort e seu sócio Rick Gates por 12 acusações que não estão diretamente relacionadas com atividades do comitê eleitoral de Trump, mas com crimes cometidos quando Manafort dirigia a campanha presidencial.

Em paralelo, George Papadopoulos, assessor de Política Externa da campanha de Trump, admitiu ter tido reuniões com funcionários russos que ofereciam "podres" da rival do republicano, a candidata demcrata Hillary Clinton, e se declarou culpado de ter mentido sobre o tema para agentes do FBI.

A ata de indiciamento de 31 páginas não sugere complô entre a equipe do candidato Trump e a Rússia para favorecer sua eleição. Em contrapartida, a acusação contra Papadopoulos é a principal evidência desse possível conluio.

Esses primeiros indiciamentos atingem em cheio o círculo próximo de Trump após meses de especulações e conflitos internos. Manafort e seu sócio foram colocados em prisão domiciliar após serem acusados de esconder milhões de dólares recebidos do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich e seu partido político na Rússia.

O primeiro pagou uma fiança de 10 milhões de dólares e o segundo 5 milhões para evitar a prisão. O advogado de Manafort, Kevin Downing, declarou o indiciamento do influente lobista é "ridículo".

Redes sociais. Várias comissões parlamentares americanas devem auditar representantes das companhias Facebook, Twitter e Google, apontadas como tendo sido usadas como plataforma para propaganda russa durante a campanha eleitoral americana.

Representantes das três empresas devem comparecer a comissões parlamentares para relatar o que descobriram sobre possíveis conexões entre entidades russas e mensagens nas redes sociais, incluindo vídeos no YouTube.

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 Facebook indicou no início de outubro que quase 10 milhões de pessoas podem ter assistido os anúncios divulgados por uma entidade russa - "Internet Research Agency" - que pareciam destinados a provocar a divisão e desconfiança.

De acordo com a inteligência americana, Moscou pagou a grupos de "trolls" como o "Internet Research Agency" para difundir mensagens prejudiciais à candidata democrata Hillary Clinton e favoráveis ao republicano Trump.Trump tentou desconsiderar a gravidade dos explosivos indiciamentos. / AFP

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