Rússia nega que cargueiro sequestrado na Suécia levasse armas para aiatolás

O chanceler russo, Serguei Lavrov, qualificou ontem de "totalmente falsas" as informações de que o cargueiro Arctic Sea - sequestrado por piratas em julho, na costa da Suécia, e encontrado duas semanas depois no litoral de Cabo Verde - estaria transportando mísseis antiaéreos russos S-300 para o governo do Irã.

REUTERS E AFP, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

A declaração de Lavrov foi acompanhada pelo parecer de uma comissão de investigadores que, ontem, inspecionou o cargueiro russo. Os especialistas disseram ter encontrado apenas "madeira" nos porões da embarcação.

O sequestro do Arctic Sea foi marcado pelo mistério desde o início. O navio, que levava 15 tripulantes e uma carga declarada 6.500 toneladas, avaliada em US$ 1,3 milhão, foi capturado em 30 de julho, quando ia da Suécia para a Argélia. O caso foi considerado o primeiro episódio de pirataria em águas europeias desde o século 17.

Os sequestradores pediram um resgate de US$ 1,5 milhão. "A pessoa que nos ligou ameaçou matar a tripulação e afundar o navio", afirmou Vladimir Dushin, vice-presidente da seguradora finlandesa Renaissance, que informou Moscou sobre o sequestro.

Diversos países europeus tinham conhecimento do paradeiro do navio, mas teriam mantido silêncio para facilitar as negociações. O governo de Portugal chegou a declarar publicamente que os piratas teriam levado o navio russo para a costa de Cabo Verde, no oeste da África.

Em seguida, a Rússia desmentiu a informação vinda de Lisboa. Logo após, contudo, Moscou acabou enviando seus navios militares para o local indicado e liberou a embarcação, capturando oito piratas identificados como cidadãos da Rússia, Estônia e Letônia.

Diversos especialistas em questões navais e de segurança levantaram a hipótese de que o navio russo estivesse levando a bordo um carregamento secreto de armas ou de componentes nucleares. O analista britânico Nick Davis disse que a história completa pode nunca vir à tona em parte porque Moscou está minimizando o caso.

"Esse é um incidente sem precedentes, cujos detalhes um dia serão transformados em um filme", disse o porta-voz da Comissão Europeia, Martin Selmayr.

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