Rússia nega ter envenenado ex-espião da KGB

O Reino Unido colocou o braço antiterrorismo de sua polícia para investigar o caso do ex-espião russo Alexander Litvinenko, internado em condições críticas num hospital londrino depois de ter sido envenenado por tálio há cerca de um mês. Nesta segunda-feira, Litvinenko foi transferido para a UTI após leve piora em seu estado de saúde. Ele é mantido sob escolta policial. Ex-agente da Agência Federal de Segurança (FSB) da Rússia e crítico ferrenho do governo russo, Litvinenko teria sido vítima de um assassinato tramado pelo Kremlin, defendem seus amigos, também dissidentes russos. O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, classificou as acusações como "sem sentido". A embaixada da Rússia em Londres descreveu o caso como um "acidente". Radicado em Londres há seis anos, Litvinenko deu entrada num hospital no começo do mês e foi transferido para outro após piora do quadro de saúde. Ele teria passado mal após almoçar num restaurante japonês com o italiano Mario Scaramella, que teria informações sobre os assassinos da jornalista russa Anna Politkovskaya, também crítica do governo russo, morta a tiros em seu apartamento em Moscou no mês passado. Exames toxicológicos mostram que o ex-agente foi envenenado com tálio, metal tóxico usado em venenos para rato e proibido na Inglaterra desde os anos 70. As chances de sobrevivência são de 50%, segundo os médicos. Alexander Goldfarb, que ajudou Litvinenko a procurar asilo no Reino Unido em 2000, disse que o amigo contou por telefone, já no hospital, que teve outro encontro antes de ir ao restaurante japonês. Litvinenko esteve em um hotel central de Londres, onde encontrou-se rapidamente para um chá com dois homens de Moscou - um deles era um ex-oficial da KGB que ele já conhecia. Resposta russa O Serviço de Espionagem Exterior (SVR) da Rússia negou qualquer envolvimento no caso do envenenamento do ex-coronel da KGB. "Todas as acusações feitas contra o SVR parecem, ao menos, pouco convincentes", declarou Serguei Ivanov, chefe de imprensa do SVR. O porta-voz do SVR acrescentou que, desde 1959, quando foi morto o nacionalista ucraniano Stepán Bander, que o SVR não realiza atividades relacionadas com a eliminação física de indivíduos indesejáveis para a Rússia.

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