EFE/ Michael Klimentyev CR?DITO OBLIGATORIO/POOL
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Rússia negocia com Turquia e Irã saída diplomática para conflito sírio

Grupos opositores sírios, que se reuniram na Arábia Saudita para buscar uma posição unificada antes de conversas de paz, decidiram manter sua exigência de que Assad deixe o poder

O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2017 | 17h35

MOSCOU - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, recebeu os líderes do Irã e da Turquia para debater a crise na  Síria nesta quarta-feira, 22 em Moscou. No encontro, ele lançou uma iniciativa diplomática para tentar pôr fim à  guerra civil no país. No front militar, tropas de Bashar Assad controlam quase todo o território sírio.

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Grupos opositores sírios, que se reuniram na Arábia Saudita para buscar uma posição unificada antes de conversas de paz, decidiram manter sua exigência de que Assad deixe o poder, noticiou a televisão Al-Arabiya.Putin, que recebeu Hassan Rohani e Recep Tayyip Erdogan em Sochi, um resort no Mar Negro, dois dias depois de ser visitado no local por Assad, disse que os presidentes iraniano e turco concordaram em apoiar uma proposta russa para um “congresso do povo sírio”.

A Rússia quer que o congresso, também a ser realizado em Sochi, inicie um diálogo paralelo a um processo de paz patrocinado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra. “O congresso examinará as questões-chave na agenda nacional da Síria”, disse Putin a repórteres, sentado ao lado de Rouhani e Erdogan. “Em primeiro lugar, é a elaboração de um quadro para a futura estrutura do Estado, a adoção de uma nova constituição e, com base nisso, a realização de eleições sob supervisão das Nações Unidas.”

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A guerra civil síria, que está em seu sétimo ano, matou centenas de milhares de pessoas e deu origem à pior crise de refugiados do mundo, levando mais de 11 milhões de pessoas a fugirem de casa.

Todas as tentativas de se obter uma solução diplomática fracassaram rapidamente, já que a oposição exige que Assad saia, o governo insiste em sua permanência e nenhum lado possui força para se impor conquistando uma vitória militar. Desde que Moscou entrou na guerra ao lado do governo de Assad, em 2015, o equilíbrio de forças virou decisivamente a favor de Damasco – um ano atrás o Exército expulsou rebeldes de seu último bastião urbano, a metade leste de Aleppo.

Nas últimas semanas o autoproclamado califado do Estado Islâmico desmoronou. Agora forças do governo controlam efetivamente toda a Síria, com exceção de alguns bolsões rebeldes e uma parte do norte comandada por forças majoritariamente curdas apoiadas pelos Estados Unidos.

Após a ajuda militar a Assad,  Putin agora parece estar desempenhando o papel de protagonista da mediação internacional para o fim do conflito. O líder russo também conversou com  o presidente americano, Donald Trump, e com lideranças do Oriente Médio nesta semana, mas qualquer acordo final que mantenha Assad no poder provavelmente precisará da anuência da oposição sunita. /REUTERS

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