EFE/ Sergei Chirikov
EFE/ Sergei Chirikov

Rússia pede que Irã respeite pontos-chave do acordo nuclear

Chanceler Serguei Lavrov diz para Teerã 'não ceder às emoções' e cumprir os principais itens das garantias oferecidas à Agência Internacional de Energia Atômica; diplomata russo também cobra da União Europeia mecanismos para contornar sanções dos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2019 | 10h33
Atualizado 02 de julho de 2019 | 20h50

MOSCOU - O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, pediu nesta terça-feira, 2, ao Irã que respeite os pontos-chave do acordo nuclear assinado em 2015, depois de o país ter afirmado na segunda que violou pela primeira vez os limites de armazenamento de urânio enriquecido. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou a informação.

"Fazemos um chamado a nossos colegas iranianos para que mostrem moderação, não cedam em nenhum caso às emoções, e respeitem os pontos-chave das garantias oferecidas à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e os pontos do protocolo adicional a este acordo", declarou Lavrov depois de se reunir com o vice-primeiro-ministro e titular das Relações Exteriores da Irlanda, Simon Coveney.

Por outro lado, Lavrov pediu aos países europeus que cumpram seus compromissos e implementem o mecanismo para contornar as sanções econômicas dos Estados Unidos e manter a troca comercial.

Nesse sentido, ressaltou que sem este mecanismo financeiro com o qual realizar transações com o Irã "será muito difícil manter um diálogo com sentido e efetivo para conservar o Plano Integral de Ação Conjunta (JCPOA, na sigla em inglês) - o nome oficial do acordo".

Lavrov sustentou que foram as sanções dos EUA que forçaram Teerã a superar os limites de suas reservas de urânio. "Em maio deste ano, os EUA aprovaram um novo pacote de sanções que proibia qualquer país de comprar os excedentes de urânio e água pesada do Irã. Em essência, com este passo, os EUA proibiram todos os países-membros da ONU de cumprir a resolução do Conselho de Segurança que aprovou o JCPOA", criticou.

Por sua parte, Coveney afirmou que a União Europeia (UE) "empreendeu esforços conjuntos para proteger o acordo (...) apesar disto ser muito complexo devido à posição dos EUA".

O Irã anunciou ontem que tinha superado o limite da reserva de 300 quilogramas de urânio enriquecido estabelecido no JCPOA.

Após a saída dos EUA do acordo nuclear, o governo de Teerã já havia antecipado em maio que deixaria de cumprir alguns aspectos do acordo, como a quantidade máxima permitida de urânio pouco enriquecido.

Nesta terça, em comunicado, os países europeus que assinaram o acordo nuclear se mostraram “extremamente preocupados” com a posição adotada pelos iranianos. O bloco afirmou novamente que a sobrevivência do acordo depende do pleno respeito ao acordo por parte do Irã. “Pedimos que os iranianos retifiquem a decisão e se abstenham de qualquer medida suplementar que questione o acordo nuclear”, diz o texto da UE.

A China, importante parceira comercial do Irã, lamentou também nesta terça a atitude do Irã, mas acusou os EUA de provocarem um clima de guerra no Oriente Médio. “Temos enfatizado em muitas ocasiões que a pressão máxima dos Estados Unidos é a causa das tensões atuais”, afirmou o porta-voz da chancelaria chinesa, Geng Shuang / EFE e AFP

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