Rússia pode apoiar Iraque contra Bush, diz analista

Um antigo inimigo dos EUA, a Rússia(núcleo da ex-União Soviética), pode se aliar ao Iraque caso opresidente americano George W. Bush declare guerra ao líder iraquiano Saddam Hussein. A opinião é de Gilberto Dupas, coordenador geral do Grupo de Conjuntura Internacional da USP e presidente de Instituto de Estudos Econômicos Internacionais."A Rússia recentemente tomou posições bastante mais explícitas com relação a acordos e alianças feitas com Iraque, Coréia do Norte e Irã e isso faz com que de alguma forma a Rússia se recoloque numa posição de relativo confronto com EUA, tentando manter espaço para algum tipo de poder na região", analisa.De acordo com Dupas, uma guerra entre os dois países iria agravar a crise econômica americana e também européia, principalmente caso se transforme num conflito de longa duração. Mas ele não vê o preço do petróleo como um dos lados mais críticos da questão, pois avalia que EUA e Europa já anteciparam um quadro de restrição, adotando medidas com relação às suas reservas.Para Dupas, os EUA terão dificuldades em encontrar aliados para uma operação contra Hussein, com exceção do Reino Unido. "Tony Blair (primeiro-ministro britânico) desde 11 de setembro se transformou em diplomata americano na Europa. É uma história antiga de aliança entre os dois países", diz. Segundo ele, os ataques aéreos que vêm sendo feitos pelos Estados Unidos e ReinoUnido contra o Iraque podem ser considerados uma ação preparatória de Bush para testar a opinião pública e a reação de eventuais aliados europeus, analisa o professor.Para os demais países europeus, no entanto, a cautela é grande afirmou o professor, lembrando que a relação entre Bush e os demais líderes da Europa foi abalada quando o presidente americano resolveu apoiar uma ação mais agressiva de Israelcontra os palestinos. "A Europa se sentiu à margem da discussão e ressentimentos surgiram na Alemanha, na França".Dupas acha improvável também que Bush encontre apoio entre os países árabes. "O mundo árabe se transformou num barril de pólvora. Apoios explícitos serão mais complexos, pois envolvemriscos políticos maiores", explica. E não descarta a possibilidade de Bush resolver adotar uma posição isolada, confrontando parte da opinião pública americana e atacando o Iraque sozinho. "É um jogo de alto risco". De acordo com ele,é impossível, no entanto, prever quando poderá ser declarada uma guerra.O professor afirma também que um ataque ao Iraque estaria muito relacionado à uma questão "mal resolvida durante o governo de Bush pai" e que pode comprometer uma futura disputa pela reeleição do atual presidente. "Bush (pai) perdeu (areeleição) porque não derrotou Hussein", diz. Segundo ele, a hipótese de uma derrota agora não faz parte da linha de opções estratégicas de Bush, que tentará fazer com que esse conflito pareça uma guerra santa contra o mal para diluir eventuaisefeitos negativos.

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