Rússia põe mísseis na Ossétia

Moscou nega denúncia do Pentágono; capital da Geórgia, Tbilisi, estaria no raio de alcance

AP, AFP, NYT E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

19 de agosto de 2008 | 00h00

O governo russo transportou plataformas de lançamento de mísseis SS-21 para a província separatista da Ossétia do Sul na sexta-feira, afirmou ontem um funcionário do Ministério da Defesa dos EUA sob condição de anonimato. De acordo com a fonte, o armamento pode colocar a Geórgia na mira e atingir várias cidades na região, incluindo a capital, Tbilisi. "Estamos vendo eles (russos) solidificarem suas posições na Ossétia do Sul e na Abkázia", disse o funcionário do Pentágono. A denúncia foi feita no mesmo dia em que o chefe-adjunto do Estado-Maior russo, Anatoli Nogovitsin, anunciou o início do recuo das tropas russas da Geórgia para a Ossétia do Sul e uma zona de segurança não especificada.Moscou, porém, negou ter instalado mísseis na província separatista, afirmando que "não vê necessidade" de tal medida. O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Gordon D. Johndroe, não quis comentar a denúncia, mas disse que qualquer equipamento militar enviado à região durante o conflito tem de ser retirado por causa do acordo de cessar-fogo. Johndroe afirmou que Washington está examinando de perto a retirada de militares russos da região que, segundo ele, deve acontecer "sem demoras".Apesar do anúncio de início da retirada de tropas, a presença de tanques e soldados russos era constante nas imediações de Gori. A movimentação de militares russos na região levantou questões sobre o real comprometimento de Moscou em cumprir sua parte do acordo. A emissora de TV georgiana Rustavi-2 exibiu imagens do que aparentavam ser veículos blindados russos passando por cima de carros de polícia que bloqueavam uma estrada em Igoeti, a 50 quilômetros de Tbilisi. Já Moscou acusou a Geórgia de bloquear um acordo para a troca de 12 soldados russos presos por 15 georgianos. A troca de acusações entre os dois lados foi intensificada após o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, alertar a Geórgia que qualquer agressão contra cidadãos russos seria respondida de modo "esmagador". Medvedev participou ontem de uma cerimônia de entrega de medalhas para 30 homens que lutaram contra a Geórgia nos últimos dias. "A Rússia está orgulhosa de cada um de vocês", afirmou.OTANA secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, afirmou ontem que a Rússia está jogando uma "partida muito perigosa" com Washington e seus aliados. Condoleezza ainda alertou que a Otan não permitirá que Moscou ganhe na Geórgia ou desestabilize a Europa. "Temos de negar aos russos seus objetivos estratégicos", disse Condoleezza, que participa hoje de uma reunião de emergência da Otan sobre a crise.Ontem, o governo alemão tentou reduzir a importância dada às declarações da chanceler Angela Merkel que, no domingo, afirmou que a Geórgia seria membro da Otan se quisesse. Berlim ressaltou ontem que as portas da organização "estão abertas" para a Geórgia, mas que, nesse momento, o país não está em condições de entrar na aliança.

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