EFE/MAXIM SHIPENKOV
EFE/MAXIM SHIPENKOV

Rússia prende líder da oposição em protesto

Alexei Navalni, que concorrerá às eleições de 2018, denunciou o premiê por corrupção e organizou as manifestações

O Estado de S.Paulo

26 de março de 2017 | 18h17

MOSCOU - O líder da oposição e candidato à presidência da Rússia, Alexei Nalvalni, foi preso neste domingo no centro de Moscou, palco de uma manifestação não autorizada convocada pelo dia nacional de protesto contra a corrupção. As informações sobre a prisão foram divulgadas pelo site de Navalni.

Centenas de pessoas foram presas nos protestos realizados em várias cidades do país. Somente em Moscou foram mais de 700 presos. Apesar de as autoridades de Moscou terem alertado que o protesto era ilegal, milhares de pessoas se reuniram na Praça Pushkin e na Rua Tverskaya, no centro de Moscou. “A Rússia será livre! Liberdade, liberdade”, cantavam os manifestantes na Praça Pushkin.

Os organizadores do protesto recomendaram aos participantes da manifestação que ficassem passeando pelas calçadas da Rua Tversakaya para evitar serem presos.

O dia nacional de protesto foi convocado com o tema “Dmitri pagará”, em referência ao primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, acusado de ser um dos homens mais corruptos da Rússia. O líder da oposição fez essa denúncia no início do mês em um vídeo publicado no YouTube, resultado de uma investigação de vários meses que já foi visto mais de 10 milhões de vezes.

No vídeo, Navalni afirma que Medvedev, um dos principais aliados do presidente Vladimir Putin e ex-presidente da Rússia, acumulou um império em ativos, tanto dentro quanto fora do país, por meio de fundações beneficentes comandadas por parentes e pessoas de sua mais absoluta confiança. “Com base na documentação publicada, afirmamos que foram transferidos para as fundações de Medvedev 70 bilhões de rublos (cerca de US$ 1,2 bilhão) em dinheiro e propriedades”, afirmou Navalni.

As manifestações contra a corrupção estão sendo realizadas em cidades como Vladivostok, Krasnoyarsk e Tomsk, nas quais também não há permissão das autoridades para que o protesto ocorresse. Segundo a imprensa russa, em Vladivostok a polícia prendeu mais de 30 pessoas. 

Em São Petersburgo, milhares de manifestantes se reuniram em um dos principais pontos da cidade e fizeram uma passeata em direção à principal avenida local, cantando palavras de ordem contra o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

"Hoje se consolidou a vitória sobre o medo", resumiu Leonid Volkov, chefe de campanha de Navalni, ao destacar que, apesar das ameaças das autoridades de usar a força contra os manifestantes, os protestos foram os mais cheios dos últimos anos.

Volkov foi o responsável por transmitir as manifestações pela internet, mas policiais invadiram o estúdio onde o chefe de campanha estava para interromper a exibição dos protestos. Pouco depois, o sinal foi restabelecido por um estúdio reserva.

Navalni, de 40 anos e advogado de profissão, começou a abrir comitês eleitorais em diferentes cidades depois de ter anunciado em fevereiro que será candidato à presidência da Rússia em 2018. / EFE

 

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