Rússia prende repórter brasileiro colaborador do ''Estado''

O jornalista brasileiro freelancer Solly Boussidan, colaborador do Estado, foi preso ontem na Rússia, acusado de fazer reportagens sem autorização. Moscou determinou que Boussidan deve passar 10 dias na prisão antes de ser deportado, mas o Itamaraty e a Alemanha - país do qual o repórter também tem cidadania - trabalham para que ele deixe a Rússia o quanto antes.

Roberto Simon, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2011 | 00h00

Embora tenha se identificado como jornalista ao cruzar a fronteira, Boussidan não trabalhava em território russo e estava em trânsito rumo à Armênia com um visto de turista. No entanto, com o atentado de segunda-feira no aeroporto de Moscou, quando 35 pessoas morreram, o repórter enviou um relato sobre a cobertura televisiva da tragédia ao portal Terra Magazine.

Dois dias depois, a polícia o deteve em Sochi, no Mar Negro, e o interrogou por 12 horas. Em seguida, Boussidan foi levado a um juiz, que determinou sua prisão por 10 dias antes da deportação, além de uma multa de dois mil rublos (US$ 65).

O brasileiro, então, foi encaminhado a um centro de detenção para estrangeiros na cidade de Adler, perto da fronteira com a Geórgia. Preso, Boussidan passou 36 horas sem comida, sob pressão para assinar documentos em russo sem tradução e abrir mão da proteção consular brasileira.

O Itamaraty está em contato com o Kremlin (poder Executivo federal russo) e com o policial que dirige o centro onde está o brasileiro. A Embaixada da Alemanha em Moscou, por sua vez, enviou um representante a Adler.

Organizações internacionais têm criticado as ações de Moscou contra repórteres. Para a ONG Repórteres Sem Fronteiras, a Rússia ergue "uma cortina de ferro" contra jornalistas.

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