Rússia processa capitães que negaram socorro a navio

Duas embarcações passaram pelo Bulgária durante naufrágio e não ajudaram sobreviventes; 116 pessoas morreram

, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2011 | 00h00

MOSCOU

O Comitê de Investigação Federal abriu ontem um processo penal contra os capitães das duas embarcações que deixaram de prestar socorro aos passageiros do navio Bulgária enquanto a embarcação afundava no domingo nas águas do Rio Volga. Ontem, pelo menos 88 corpos foram resgatados, entre eles os de 18 crianças. Acredita-se que 116 pessoas tenham morrido.

O navio Bulgária, que fazia um cruzeiro superlotado no Rio Volga no fim de semana, estava a três quilômetros da margem e afundou em minutos durante uma tempestade. Autoridades disseram que, das 195 pessoas que estariam a bordo, 79 foram resgatadas.

A porta-voz do Ministério das Emergências Yelena Smirnykh disse que mergulhadores que examinam o barco naufragado chegaram à área de recreação, onde, segundo sobreviventes, cerca de 30 crianças tinham se reunido pouco antes do naufrágio. Psicólogos enviados para ajudar as famílias estão prestando auxílio a alguns dos mergulhadores.

Os serviços de emergência disseram que a embarcação tinha capacidade para até 140 pessoas. A maioria dos sobreviventes foi resgatada por um navio que cruzava pela região, após duas embarcações comerciais - Arbat e Dunaiski-66 -, terem passado sem ajudar.

Um policial indicou que, por causa da forte chuva e das ondas, os navios podem não ter visto o Bulgária, mas teriam escutado os pedidos de socorro por rádio. O código penal russo prevê penas de até 2 anos de prisão "por omissão de socorro a embarcação que sofre naufrágio".

Ontem, o presidente Dmitri Medvedev declarou dia nacional de luto, com bandeiras hasteadas a meio mastro e restrição de comerciais e programas de entretenimento na televisão.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, anunciou que os sobreviventes e parentes das vítimas receberão compensações de até US$ 35 mil. / EFE e REUTERSM

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