Rússia promete a Londres cooperação no caso do ex-espião

A ministra de Exteriores britânica, Margaret Beckett, falou na quarta-feira com o chanceler russo, Serguei Lavrov, o qual lhe ofereceu garantias de que Moscou cooperará na investigação sobre a morte do ex-espião russo Alexander Litvinenko. Esta informação foi confirmada nesta quinta-feira, 30, na Câmara dos Comuns pelo ministro do Interior britânico, John Reid, em uma declaração perante os deputados sobre o caso de Litvinenko, conhecido por suas duras críticas ao presidente da Rússia, Vladimir Putin. Trata-se do contato do nível mais elevado entre Londres e Moscou em relação à morte de Litvinenko que o governo britânico tornou público até agora. Após a morte do ex-espião, em 23 de novembro, o Executivo britânico pediu às autoridades russas que colaborassem para ajudar a brigada antiterrorista da Scotland Yard em sua investigação sobre a morte do ex-espião por intoxicação radioativa. Além disso, funcionários do Ministério de Assuntos Exteriores britânico se reuniram no último dia 24 com o embaixador russo em Londres, Yuri Fedotov, para analisar o incidente. No entanto, o governo britânico tratou este assunto com muito tato para evitar mal-estar diplomático com a Rússia, cujos recursos energéticos (gás e petróleo, principalmente) são de grande interesse para o Reino Unido. No último dia 27, o porta-voz oficial do primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, afirmou que era "muito cedo" para tirar conclusões sobre a misteriosa morte do ex-agente secreto. Blair afirmou no dia 28 em Copenhague que a investigação policial sobre a morte de Litvinenko irá até o fim e não haverá álibi por questões diplomáticas ou políticas. O chefe do Executivo britânico ressaltou que falará sobre o caso com Putin "no momento apropriado". No dia em que adoeceu, Litvinenko se reuniu em um hotel de Londres com dois compatriotas, um dos quais um ex-agente do KGB (antigo serviço de espionagem soviético). Nesse mesmo dia, o ex-espião se reuniu em um restaurante japonês no centro de Londres com o professor italiano Mario Scaramella, que tem bons contatos no mundo da espionagem. Aparentemente, Scaramella teria fornecido ao ex-espião nomes de pessoas que poderiam estar envolvidas no assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya, opositora do Kremlin, crime que estava sendo investigado por Litvinenko. Alexander Litvinenko foi coronel do Serviço Federal de Segurança (antigo KGB, ao qual Putin também pertenceu) e vivia desde 2001 como refugiado no Reino Unido, onde o governo lhe havia concedido nacionalidade britânica. Antes de morrer, Litvinenko ditou uma carta na qual acusa o Kremlin e o presidente Putin pelo seu envenenamento.

Agencia Estado,

30 Novembro 2006 | 15h10

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