Rússia promete iniciar hoje retirada de tropas da Geórgia

Mas, mesmo sob pressão do Ocidente, Medvedev sugere que forças russas podem permanecer na Ossétia do Sul

Reuters, AP E AFP, Moscou, O Estadao de S.Paulo

18 de agosto de 2008 | 00h00

O presidente russo, Dmitri Medvedev, prometeu ontem que começará a retirar a partir de hoje suas forças da Geórgia, enquanto líderes ocidentais pressionavam por um rápido fim do conflito e criticavam Moscou por não honrar seus compromissos. Em um telefonema a Medvedev, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, advertiu ontem sobre "as graves conseqüências" se a Rússia não respeitar o acordo de cessar-fogo na Geórgia.Medvedev sugeriu que suas forças poderão permanecer na província separatista da Ossétia do Sul, cujo presidente, Eduard Kokoiti, dissolveu ontem o governo e declarou estado de emergência. No dia 7, a Geórgia lançou uma ofensiva para retomar a Ossétia, e no dia seguinte tropas russas invadiram várias cidades georgianas, aumentando o conflito. O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, afirmou ontem em Tbilisi, ao lado da chanceler alemã, Angela Merkel, que seu país não reconhece nenhuma "força de paz" russa e reiterou que não abrirá mão da Ossétia do Sul e da Abkázia. A chanceler alemã disse esperar uma rápida retirada das tropas russas. Ela também manifestou seu apoio à entrada da Geórgia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), à qual Moscou se opõe.Em Washington, a secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, declarou que a reputação da Rússia está abalada e Moscou precisa honrar sua promessa. Condoleezza viaja hoje a Bruxelas para forjar um bloco comum frente a Rússia com a União Européia e a Otan. Entre as medidas que os EUA querem debater está a exclusão da Rússia do G-8 e o bloqueio de sua entrada na OMC e na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) - que hoje decidirá sobre o envio de cem observadores à Geórgia. O secretário de Defesa americano, Robert Gates, disse ontem que a Rússia está dando sinais de que está voltando a seu passado autoritário e a invasão da Geórgia exige que os EUA reavaliem as relações estratégicas entre as superpotências.Na estrada entre Igoeti e a estratégica cidade de Gori havia ontem vários bloqueios da forças russas. Mas em Gori mesmo havia somente alguns poucos soldados e tanques. Os russos ainda controlavam a cidade portuária de Poti e a estrada para a Abkázia, que passa por Zugdidi. Segundo a ONU, há 158 mil refugiados. A Rússia diz que 1.600 pessoas morreram nos dez dias de conflito; a Geórgia, cerca de 200 georgianos.

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