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Rússia propõe aos EUA receber 'senhor das armas' em troca de presos dos EUA

O traficante de armas Viktor Bout cumpre pena de 25 anos em prisão americana; Moscou cita mecanismo da Convenção do Conselho da Europa de 1983 para realizar a troca

O Estado de S. Paulo

03 Agosto 2016 | 15h49

MOSCOU - A Rússia anunciou nesta quarta-feira, 3, ter proposto aos Estados Unidos trocar o traficante de armas Viktor Bout, conhecido como o "senhor das armas", e o piloto Konstantin Yaroshenko, condenado por tráfico de drogas, por presos americanos.

Bout, cuja liberdade foi solicitada em várias ocasiões pela chancelaria russa, foi detido na Tailândia em 2008 e cumpre 25 anos de prisão em uma penitenciária americana.

"Nós propusemos a nossos colegas americanos recorrer ao mecanismo da Convenção do Conselho da Europa de 1983 para a entrega de condenados a fim de que cumpram sua pena no país de origem", disse Sergei Ryabkov, vice-ministro das Relações Exteriores russo.

Em troca, Moscou colocaria em liberdade os cidadãos americanos que se encontram em prisões russas pelos crimes cometidos no país. "Apesar das circunstâncias extremamente difíceis que cercam nossas relações, espero que os argumentos humanitários tenham prioridade sobre a conjuntura política", explicou Ryabkov.

"Faremos o máximo esforço para a realização deste plano. Entre os que poderiam ser libertados estão Yaroshenko e Bout, mas os detalhes serão tratados de maneira confidencial", comentou Ryabkov. O vice-ministro rejeitou qualquer tentativa de utilizar esses presos como "moeda de troca" na atual disputa geopolítica entre ambos os países. 

A Rússia considera que o processo contra Bout foi "fabricado pelos serviços secretos". O "senhor das armas" foi condenado, entre outras coisas, por conspirar para matar cidadãos americanos e vender armas à guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O Departamento de Justiça dos EUA acusou Bout de vender para as Farc cerca de 800 mísseis terra-ar, 5 mil fuzis de assalto AK-47, explosivos C4 e minas terrestres, entre outras armas avaliadas em milhões de dólares.

Yaroshenko foi detido em maio de 2010 por agentes da DEA, a agência federal antidrogas dos EUA, em Monróvia, a capital da Libéria, e transferido para Nova York, dentro de uma operação contra uma rede internacional de tráfico de drogas, uma ação que a Rússia tachou na época de "sequestro".

Posteriormente, Yaroshenko foi condenado a 20 anos de prisão por participar do tráfico de drogas entre América Latina, África, EUA e Europa.

A Rússia, que sustenta que seus cidadãos devem cumprir pena em seu país, criticou em várias ocasiões os EUA por considerar que este país faz o uso extraterritorial de sua legislação contra pessoas de nacionalidade russa. /EFE

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