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Rússia propõe trégua humanitária de 48 horas em Alepo

Apesar da proposta, vice-ministro das Relações Exteriores russo afirmou que um cessar-fogo de uma semana é inaceitável, pois permite que grupos terroristas consigam munição e reagrupem suas forças

O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2016 | 11h05

BEIRUTE - O vice-ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Ryabkov, afirmou nesta quinta-feira, 29, que seu país é favorável a uma trégua humanitária de 48 horas em Alepo, mas considera inaceitável um novo cessar-fogo de uma semana porque permitiria que os grupos terroristas se reagrupassem.

"A fim de garantir o acesso humanitário, estamos propondo uma pausa de 48 horas, mas os colegas americanos, por razões que só eles conhecem, estão empenhados em exigir uma trégua de sete dias", disse aos jornalistas."Esse prazo (uma semana) é totalmente suficiente para que os grupos terroristas possam conseguir munição, descansar seus combatentes e reagrupar suas forças", afirmou.

Ryabkov insistiu: "o prazo de sete dias é inaceitável para nós, mas a proposta de uma pausa de 48 horas permanece sobre a mesa".

O vice-ministro russo afirmou que Moscou não vê alternativa a não ser seguir cooperando com os EUA na busca de uma solução para o conflito sírio, mas deixou claro que não aceitará os ultimatos de Washington.

"Com sua política de chantagem e ameaças, Washington procura impor soluções que favoreçam os EUA e seus clientes", afirmou Ryabkov, em referência à ameaça feita na quarta-feira pelo secretário de Estado, John Kerry, a seu colega russo, Serguei Lavrov, de suspender a cooperação bilateral em respeito à Síria, caso a Rússia não atue "imediatamente " para acabar com a ofensiva de Alepo.

"É impossível chegar a um acordo com base nisso. Você pode levar o cavalo até a água, mas não pode fazê-lo beber. Nós temos nosso próprio enfoque e nossos princípios", ressaltou Ryabkov.

Também nesta quinta-feira, a Rússia anunciou que está pronta para cooperar com os EUA na crise síria, anunciou o Ministério de Defesa russo. Por determinação do presidente Vladimir Putin, o Exército do país está preparado para enviar seus "especialistas" militares a Genebra para uma "retomada das consultas" com seus colegas americanos, visando a encontrar soluções para a "normalização" da situação em Alepo e na Síria, em geral.

Manifestação. Grupos de ativistas sírios lançaram nesta quinta-feira a campanha "a Rússia está nos matando", em protesto pela intervenção militar de Moscou na Síria, em razão do aniversário do início dos bombardeios da Rússia, que completam um ano na sexta-feira.

Ahmad Orabi, ativista do grupo opositor Rede Sham, disse que esta iniciativa "quer pôr o foco nas consequências" da intervenção militar russa "sobre o povo e a revolução síria".

Veja abaixo: Guerra na Síria já deixou mais de 300 mil mortos

A campanha inclui protestos das comunidades de sírios no exterior, divulgação de vídeos e imagens sobre as consequências dos bombardeios russos e publicação de depoimentos de testemunhas dos ataques aéreos e dos números de mortos e feridos.

Segundo dados divulgados em 20 de setembro pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), pelo menos 8.899 pessoas morreram na Síria em bombardeios da aviação da Rússia, dentre os quais 3.506 eram civis. / EFE, REUTERS e AFP

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