Rússia quer encontro israelo-palestino antes de cúpula

A Rússia pediu na quarta-feira, 21, que os palestinos e israelenses realizem negociações diretas antes de um encontro dos mediadores do processo de paz para o Oriente Médio, marcado para acontecer em Berlim, e que deve discutir o acordo firmado pelo Hamas e pela Fatah para a formação de um governo palestino de coalizão. Os EUA mostram-se cautelosos a respeito do acordo assinado pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas (da Fatah), e pelo Hamas, em Meca. O governo americano deseja continuar isolando o Hamas, que não reconhece o direito de Israel de existir. Os europeus, no entanto, vêem no pacto a melhor chance de evitar uma guerra civil nos territórios palestinos. E uma autoridade da União Européia (UE) afirmou que os ministros das Relações Exteriores dos 27 países membros do bloco estavam mais propensos a ver o acordo como um "copo meio cheio, e não meio vazio". A Rússia deseja que negociações sejam realizadas com o Hamas e defende a retomada do envio de ajuda para os palestinos. O chanceler russo, Sergei Lavrov, disse ao jornal governista Rossiskaya Gazeta que Abbas e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, deveriam iniciar negociações a respeito do futuro dos palestinos. "Vamos apoiar ativamente os contatos diretos que lidariam não apenas com a abertura de um ou outro posto de controle, mas que teriam por meta negociar o que o quarteto vem chamando de horizonte político", afirmou Lavrov. A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, que desembarcou em Berlim na terça-feira à noite, deve informar ao quarteto de mediadores sobre o resultado de um encontro patrocinado por ela entre Abbas e Olmert e ocorrido na segunda-feira, em Jerusalém. Avanços lentos Aparentemente, no entanto, a cúpula de Jerusalém significou poucos progressos para os esforços de levar adiante o processo de paz. Os dois líderes apenas prometeram se reunir novamente, dentro em breve. Rice quer que o quarteto de mediadores -- formado pelos EUA, Organização das Nações Unidas (ONU), UE e Rússia -- desempenhe um papel de maior destaque nas tentativas de reavivar o processo de paz israelo-palestino. Mas a secretária também deseja manter o Hamas sob pressão. A Alemanha, que comandará o encontro em Berlim na qualidade de atual ocupante da Presidência rotativa da UE, disse que o quarteto precisa aproveitar todas as chances de retomada do processo de paz, independente das desavenças existentes. Abbas deve chegar à Alemanha na sexta-feira a fim de reunir-se com a chanceler do país, Angela Merkel, e explicar-lhe o acordo sobre o novo governo. O quarteto afirmou que só se manifestará sobre o governo palestino de coalizão quando a plataforma política dele for conhecida. Mas exige que essa entidade, a ser criada, reconheça o direito de Israel de existir, renuncie à violência e aceite os acordos de paz já firmados.

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