Rússia reafirma apoio a Assad

O governo da Rússia declarou nesta sexta-feira que não mudou e não mudará sua postura e aliança militar com a Síria, após o diplomata russo Mikhail Bogdanov ter dito ontem que a derrota do presidente sírio Bashar Assad era possível. "Nós nunca mudamos e nunca mudaremos nossa posição a respeito da Síria", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Lukashevich. Bogdanov sugeriu na quinta-feira que o governo sírio está perdendo a guerra para os insurgentes. A Rússia é aliada da Síria e possui uma base naval em Tartus, a única que possui no Mediterrâneo.

AE, Agência Estado

14 de dezembro de 2012 | 16h33

O Kremlin disse nesta sexta-feira que Bogdanov estava explicando aos jornalistas - das três agências estatais de notícias da Rússia - a posição dos rebeldes sírios, os quais esperam uma queda próxima do regime de Assad. Nesta sexta-feira, Bogdanov parece ter levado um puxão de orelhas e participou de uma reunião com o vice-primeiro-ministro sírio, Qadri Jamil, que teve uma reunião com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov (patrão de Bogdanov) e com o diplomata que deu as declarações desastradas na quinta-feira.

"Nosso único objetivo é acabar com a violência na Síria o mais cedo possível, iniciar o diálogo entre os sírios, entre o governo e a oposição, e trabalhar em uma fórmula para avançar uma solução negociada da guerra" disse em comunicado a chancelaria russa.

A dúvida agora é se Bogdanov deu as declarações com conhecimento prévio ou não de Lavrov. Se não fez isso, está com graves problemas profissionais, diz Georgy Mirsky, especialista em Oriente Médio no Instituto para Relações Econômicas e Internacionais, em Moscou. De qualquer maneira, Bogdanov e Lavrov devem ter explicado a confusão ao presidente russo Vladimir Putin.

Mirsky disse que Putin está em uma situação difícil por causa da guerra civil na Síria e de Assad. Se parecer que o presidente russo tirou o apoio a seu aliado sírio, isso será amplamente visto como perda de prestígio e poder pelo Kremlin. Isso não combinaria com a imagem de homem forte que Putin gosta de cultivar. "Se Assad for derrubado pelos insurgentes ou morto por seus próprios homens, isso não parecerá uma derrota para Putin", explica Mirsky. O analista russo acredita, contudo, que a Rússia "perderá a Síria de qualquer maneira".

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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