Rússia rebate acusações sobre política para o Kosovo

Subsecretário dos EUA havia classificado a declaração de embaixador russo como 'cínica'

EFE

24 de fevereiro de 2008 | 10h31

O Ministério de Assuntos Exteriores da Rússia rebateu neste domingo, 24, as acusações dos EUA de que o país agia com cinismo em relação a Kosovo.  "Ao qualificar de cínica nossa política no Kosovo, o diplomata americano não parou para meditar que é precisamente assim como se vê a política dos EUA no caso (do Kosovo)", indica um comunicado do escritório de imprensa da Chancelaria russa. Na sexta-feira passada, Nicholas Burns, subsecretário americano para Assuntos Políticos, qualificou de "muito irresponsável" e "cínica" uma declaração do embaixador russo na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Dmitri Rogozin, que disse que se a União Européia (UE) e a Otan passarem por cima de seu mandato no Kosovo, a Rússia terá que usar a força para ser respeitada. Rogozin destacou mais tarde que suas palavras foram tiradas de contexto e afirmou que sua declaração se referia à imposição da força em Kosovo, e não as normas do direito internacional. "Acaso não é cinismo humilhar o povo sérvio e prometer perspectivas euro-atlânticas a Belgrado em troca de aceitar o desmembramento da Sérvia? Acaso é moral a tese americana de que o caso do Kosovo é único em seu gênero?", insistiu neste domingo o Ministério de Exteriores russo. A Chancelaria ressaltou que não é necessário fazer apelos à Rússia, como tentou Burns, para que emita declarações responsáveis sobre o Kosovo. "Assim fazemos: chamamos as coisas por seu nome, advertimos das conseqüência destrutivas que tem a instigação do separatismo e apontamos diretamente àqueles que com suas ações destroem a ordem legal internacional", ressalta a declaração. O Kremlin qualificou de "ato ilegítimo" a proclamação unilateral da independência do Kosovo e afirmou que não reconhecerá a secessão desse território sem o beneplácito da Sérvia. Além disso, pediu que ONU e Otan "anulem" a decisão das autoridades do Kosovo, e defendeu o reatamento das negociações entre Belgrado e Pristina.

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