Rússia recusa nova resolução da ONU contra o Iraque

A Rússia mostrou hoje não estar disposta a endossar uma resolução do Conselho de Segurança (CS) da ONU com ameaça de uso da força contra o Iraque, caso o país não cumpra as obrigações de desarmamento - contrariando a posição dos EUA e da Grã-Bretanha. O chanceler russo, Igor Ivanov, disse não haver "uma prova clara" no dossiê do governo britânico acusando o líder iraquiano Saddam Hussein de ter armas de extermínio e contestou também as alegações norte-americanas de que o Iraque abriga campos de treinamento da Al-Qaeda.Ele insistiu no retorno dos inspetores um dia antes de um enviado norte-americano, o subsecretário de Estado Marc Grossman, partir para Moscou acompanhado de um diplomata britânico para buscar apoio russo para uma "resolução" forte, advertindo Saddam das "sérias conseqüências" do não cumprimento das resoluções. O regime iraquiano aceitou os inspetores de volta e promete dar-lhes livre acesso a qualquer local no país.Os enviados norte-americano e britânico foram hoje a Paris, onde mantiveram contatos na presidência e na chanceleria. Depois, irão a Moscou. China, Rússia, França, EUA e Grã-Bretanha são os cinco membros permanentes do CS, com direito a veto na votação de resoluções. "Essa é a razão pela qual a Rússia trabalha com tanta insistência pelo retorno dos inspetores internacionais ao Iraque o mais rápido possível", disse Ivanov, frisando que, qualquer atraso no envio dos inspetores, será um "erro imperdoável". "São os inspetores, atuando em conformidade com as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, que podem dar respostas a todas essas questões."Segundo Ivanov 280 inspetores de 44 países estão prontos para começar a operar. No entanto, analistas políticos dizem que o Kremlin pode mudar de idéia e deixar de opor-se a um ataque norte-americano ao Iraque se Washington fizer o mesmo em relação à ameaça da Rússia de atacar bases dos rebeldes chechenos em território da Geórgia.A França, contrária a uma ação militar, propôs duas resoluções: uma sobre o envio dos inspetores e as obrigações que o Iraque deve cumprir e uma outra, numa segunda etapa, tratando das ações a serem adotadas se Bagdá não cooperar. A China também se opõe a uma ação militar e mostrou interesse na sugestão dos franceses.O presidente George W. Bush telefonou hoje ao presidente francês Jacques Chirac pedindo apoio. Segundo porta-vozes de Chirac, ele disse a Bush que a França apóia uma "resolução simples e firme, mostrando a unidade e determinação da comunidade internacional sobre a volta rápida dos inspetores ao Iraque, e defendendo um processo em duas etapas.Em Bagdá, o filho mais velho de Saddam, Uday, acusou os EUA de tentarem depor seu pai para se apossarem das imensas reserva de petróleo iraquiano, sobre as quais não têm acesso no momento.

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