Mikhail Klimentyev/Sputnik / AFP
Mikhail Klimentyev/Sputnik / AFP

Rússia reforça apoio à Bielo-Rússia e anuncia encontro entre Putin e Lukashenko

Em novo movimento favorável à ex-república Soviética, Moscou também confirmou ida de primeiro-ministro ao país vizinho

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2020 | 11h20

A Rússia anunciou nesta quarta-feira, 2, que o presidente Vladimir Putin deve se encontrar com o presidente da Bielo-Rússia, Alexander Lukashenko, em uma demonstração aberta de apoio ao contestado líder da ex-república Soviética. Alvo de protestos internos em razão das denúncias de fraude nas últimas eleições, Lukashenko tem em Moscou um de seus últimos aliados para suportar a pressão internacional.

Nesta quarta, o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, recebeu o chanceler bielo-russo, Vladimir Makei, em Moscou. Lavrer informou que Lukashenko será recebido por Putin nas próximas duas semanas.

Além do encontro entre Putin e Lukashenko, o Kremlin também anunciou a visita do primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, a Minsk na próxima quinta-feira, 3, no que deve ser a primeira visita de uma autoridade russa à Bielo-Rússia desde o início da crise política.

Moscou já vinha apoiando Lukashenko. Analistas apontam que Putin tem interesse na permanência do presidente no governo bielo-russo - apesar de recentes embates sobre a influência russa no país -, mas deseja o enfraquecimento dele enquanto liderança, a fim de deixá-lo mais suscetível a um controle russo.

Durante a crise política, Putin já havia iniciado uma aproximação, tendo oferecido, inclusive, apoio militar caso fosse necessário. O presidente russo também se mostrou favorável à reforma constitucional mencionada por Lukashenko durante a semana, mesmo sem maior detalhamento por parte do líder bielo-russo.

No encontro entre os chanceleres, Lavrev denunciou as tentativas de "desestabilizar" a Bielo-Rússia e as "declarações destrutivas", segundo ele, da Ucrânia, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da União Europeia. O ministro russo ainda julgou "intolerável" a ideia de uma mediação estrangeira entre o poder e a oposição, excluindo qualquer diálogo com esta última. Makei saudou o posicionamento "ponderado" de Moscou.

'Uma pátria'

As relações entre a Rússia e Bielo-Rússia estiveram tensas no pré-eleição, com Lukashenko acusando Moscou de tentar expulsá-lo do poder para controlar seu país. No entanto, desde a crise iniciada após o processo eleitoral, o presidente teve que recorrer ao apoio russo.

Lukashenko agradeceu calorosamente ao canal público russo RT - considerado pelos países ocidentais como uma arma de propaganda do Kremlin - "por (seu) apoio". O presidente declarou publicamente que "nunca se afastou da Rússia", argumentando que os bielo-russos e os russos têm uma única e mesma "pátria".

O momento coincide com o pedido de Minsk agora pede ajuda econômica - além do apoio político. A economia nacional está em crise, devido à crise política e as sanções impostas por países vizinhos e à covid-19.

A Bielo-Rússia busca, assim, reestruturar sua dívida, suspendendo as restrições às viagens entre os dois países, adotada pela pandemia de coronavírus, bem como alternativas às suas rotas comerciais que passam pelos portos do Báltico.

Moscou disse que estuda todas as ideias e denunciou as sanções "inaceitáveis" decretadas por Lituânia, Estônia e Letônia contra Lukashenko e contra outras 29 autoridades.

A UE também está considera proibições de entrada e congelamento de ativos para autoridades bielo-russas, mas esta lista não é unânime e requer a aprovação dos 27 Estados-membros.

As autoridades bielo-russas continuam, por sua vez, a prender políticos, grevistas, jornalistas e manifestantes.

Apesar disso, por três semanas consecutivas, cerca de 100.000 pessoas foram às ruas de Minsk para denunciar o regime./ AFP

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