Rússia rejeita forte resolução da ONU sobre Síria

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, rejeitou nesta segunda-feira pedidos feitos pelos Estados Unidos, Reino Unido e França por uma "forte" resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), que daria ao presidente sírio, Bashar Assad, um prazo firme para a eliminação de armas químicas no país.

AE, Agência Estado

16 de setembro de 2013 | 09h30

"Eu acho que, até certo ponto, é uma realidade distorcida, porque concordamos claramente com (Secretário de Estado dos EUA) John Kerry sobre como agir", disse Lavrov em uma coletiva de imprensa.

O ministro russo disse que pedidos por uma resolução sob o Capítulo 7 da Carta da ONU - que permite a execução de uma ação militar - mostrava um "mal-entendido" do acordo que havia sido atingido no fim de semana entre EUA e Rússia.

Mais cedo nesta segunda-feira, os ministros de Relações Exteriores de EUA, Reino Unido e França se encontraram em Paris e afirmaram que devem buscar uma forte resolução da ONU sobre as armas químicas da Síria.

"Cada um de nós entende que o anúncio que fizemos em Genebra não deve ter significado até que seja ratificado pela ONU nos termos mais fortes e convincentes possíveis", disse o John Kerry. "Caso a diplomacia fracasse, a opção militar ainda está sobre a mesa".

"Nós não aceitaremos nada a não ser um comprometimento completo do regime Sírio", afirmou a autoridade norte-americana, em linha com as falas dos ministros francês e britânico. Segundo Kerry, a Rússia concorda que o Capítulo 7 deve ser abordado em caso de governo sírio não atender às exigências.

Um acordo feito durante o fim de semana entre EUA e Rússia em Genebra delineou a estrutura para que Síria entregue as suas armas químicas para inspetores internacionais. Contudo, o acordo inicial ficou aquém dos desejos da França de impor sanções automáticas caso Damasco não atenda às exigências.

Em vez disso, os EUA e a Rússia concordaram que qualquer sanção deve fazer parte de uma resolução separada do Conselho de Segurança da ONU que deve ser discutida em uma data posterior.

Como primeiro passo, os EUA, a França e o Reino Unido - membros permanentes do Conselho de Segurança - se reuniram para discutir os termos de uma primeira resolução que deverá estabelecer a estrutura detalhada para desarmar a Síria de suas armas químicas. A resolução poderá ser aprovada até sexta-feira.

O ministro francês Laurent Fabius, Kerry e o ministro britânico William Hague, todos ressaltaram que uma solução política negociada era a única maneira duradoura para a crise da Síria. Fabius disse que a França reforça o seu apoio à Coalizão Nacional Síria, de oposição.

Hague também disse que deseja que uma segunda conferência de paz sobre a Síria seja realizada em Genebra. Fonte: Dow Jones Newswires.

Mais conteúdo sobre:
RússiaONUSíria

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.