Rússia se decepciona com cancelamento de viagem de Obama

O governo russo se mostrou decepcionado nesta sexta-feira com a decisão do presidente Barack Obama de cancelar uma viagem para a Ásia, onde era aguardada uma possível reunião com o presidente russo, Vladimir Putin.

AE, Agência Estado

04 de outubro de 2013 | 08h40

"Estamos decepcionados que não haverá um encontro", disse o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, segundo agências de notícias russas. "Há uma grande necessidade em nossas relações bilaterais por um diálogo do mais alto nível."

Os dois lados "têm uma grande quantidade de questões na agenda, incluindo principalmente temas liderados pela Síria."

Obama cancelou viagens para a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) em Bali e para a Cúpula do Leste Asiático em Brunei por causa da crise do Orçamento federal nos Estados Unidos.

O conselheiro de política externa de Putin, Yury Ushakov, disse na quinta-feira que os dois presidentes poderiam se encontrar à margem da cúpula em Bali para discutir questões como a crise na Síria.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, deve representar Washington em ambos os eventos. Peskov disse que Putin não deve se encontrar com Kerry em Bali, mas que o diplomata norte-americano pode ter conversações com o ministro de Relações Exteriores, Sergei Lavrov.

A Rússia e os Estados Unidos chegaram a um acordo no mês passado para tirar as armas químicas do regime sírio, após um ataque com um agente químico perto de Damasco, em 21 de agosto. Washington acredita que a ofensiva custou mais de 1.400 vidas.

O plano de desarmamento foi originalmente criado como parte dos esforços da Rússia para proteger o regime do presidente sírio, Bashar Assad, de ataques militares liderados pelos EUA.

A Rússia argumenta que foguetes com o agente químico sarin foram disparados por rebeldes sírios que tentavam buscar apoio de governos ocidentais e árabes.

Um diplomata russo não identificado disse à agência de notícias Interfax nesta sexta-feira que Moscou agora suspeita que o ataque químico foi realizado por rebeldes da Liwa al-Islam.

O grupo rebelde é uma das maiores facções islâmicas que combatem as forças de Assad na Síria. O Liwa al-Islam também tem uma presença perto de Damasco.

O diplomata russo disse que várias fontes sugeriram que o ataque químico "foi o trabalho de um grupo especial enviado pelos sauditas do Jordão que estava agindo sob uma ala do Liwa al-Islam".

As potências mundiais também concordaram provisoriamente em agendar as primeiras negociações diretas entre o regime de Assad e os rebeldes em Genebra, em meados de novembro. A conferência de Genebra II, como o evento está sendo denominado, deve acontecer após uma rodada fracassada de negociações entre as potências mundiais ocorrida na mesma cidade em junho de 2012. Fonte: Dow Jones Newswires.

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