Rússia se opõe a rascunho de resolução contra o Irã

O ministro de Exterior russo assinalou nesta quinta-feira que Moscou irá se opor a um rascunho de resolução proposto por países europeus para impor sanções contra o polêmico programa nuclear iraniano. Segundo Sergey Lavrov, o texto - que propõe sanções limitadas pela insistência de Teerã em não cessar seu programa de enriquecimento de urânio - desrespeita acordos existentes entre as principais potências mundiais.Rússia e China, ambos países com fortes laços comerciais com o Irã e que possuem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, sempre se opuseram a adoção de punições contra Teerã. Uma das preocupações centrais de Moscou é o futuro de um contrato de US$ 1 bilhão para a construção da primeira usina de energia nuclear iraniana."Nosso objetivo é eliminar os riscos de que tecnologias sensíveis cheguem às mãos dos iranianos antes que a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) tenha claro alguns pontos de seu interesse (sobre o programa nuclear iraniano), enquanto mantemos todos os canais de comunicação abertos com o Irã", disse Lavrov à TV estatal russa."E parece que, neste contexto, o rascunho de resolução claramente não corresponde com os pontos com que os seis lados se comprometeram", disse ele, referindo-se às negociações entre os cinco países membros do Conselho de Segurança (EUA, Grã-Bretanha, França, China e Rússia) mais a Alemanha.Interesses russosO projeto russo para a construção de uma usina de energia nuclear na cidade iraniana de Bushehr será um dos muitos obstáculos para se chegar a um acordo para uma resolução na ONU, admitiu o vice-ministro de Exteriores russo, Sergei Kislyak, segundo a agência Interfax. Em suas declarações, ele deixou claro que não será fácil chegar a um acordo sobre assunto."Longas negociações serão necessárias para que cheguemos a uma solução mutuamente aceitável", teria dito Kislyak, segundo a agência.As sanções imporiam algumas limitações ao projeto russo em Bushehr. Os cinco países membros do Conselho de Segurança mais a Alemanha ofereceram há alguns meses incentivos para que Teerã cancelasse seu programa de enriquecimento de urânio, mas Teerã rejeitou a oferta. O enriquecimento pode produzir combustível tanto para armamentos nucleares quanto para produção de energia elétrica. Após semanas de tentativas de diálogo com Teerã, as nações européias envolvidas nas negociações propuseram, no início desta semana, um pacote de sanções contra a República Islâmica. As medidas incluiriam um embargo na venda de mísseis e tecnologia atômica para o Irã e o cancelamento dos programas de ajuda tecnológica fornecidos por nações européias.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.