Mikhail Klimentyev /AP
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Em resposta aos EUA, Rússia deixa pacto nuclear

Putin promete desenvolver novos mísseis de médio alcance e acusa americanos de não negociarem; Washington diz ter tratado do tema mais de 30 vezes

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2019 | 08h41
Atualizado 02 de fevereiro de 2019 | 21h21

MOSCOU - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou neste sábado, 2, que o país também abandonará o tratado de controle de armas nucleares assinado com os Estados Unidos em 1987, durante a Guerra Fria, após os Estados Unidos terem informado na sexta-feira 1.º que deixarão o acordo. O Departamento de Estado americano alega que as negociações para obrigar Moscou a abandonar mísseis e lançadores falharam.

Putin prometeu que desenvolverá novos mísseis de médio alcance. “A Rússia não mais tomará a iniciativa de negociar o desarmamento com os EUA”, disse Putin. “Vamos esperar até que nossos parceiros (americanos) tenham amadurecido o suficiente para ter um diálogo de igual para igual”, acrescentou.

Funcionários do governo de Donald Trump indicaram por meses que estavam dispostos a deixar de lado o pacto e, na quinta-feira 31 as discussões entre os dois países para salvar o acordo falharam. Moscou  acusa a administração dos Estados Unidos de fazer acusações falsas para justificar sua retirada.

O primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, havia anunciado no Twitter que fundos seriam alocados para o “financiamento da pesquisa e desenvolvimento de novos tipos de armamentos”. “A retirada unilateral dos EUA do tratado INF agrava a situação em termos de segurança internacional e de estabilidade estratégica”, considerou, acrescentando que tal atitude “não ficará sem resposta”.

O tratado INF foi concluído pela antiga União Soviética e Washington em 1987, durante a Guerra Fria. O pacto aboliu o uso de mísseis terrestres com alcance de 500 a 5.500 km e encerrou o desenvolvimento de ogivas nucleares entre as duas potências. 

Para Washington, Moscou não soube abordar as preocupações causadas pelo novo sistema de mísseis de médio alcance 9M729 que, segundo os países ocidentais, contraria o tratado. Já os russos alegam que os mísseis são permitidos pelo pacto. 

Washington vai deixar totalmente o acordo em até seis meses “se a Rússia não voltar total e plenamente, de forma verificável, ao tratado, destruindo os mísseis e os lançadores que supostamente deslocou e violam o pacto”, reagiu ontem o secretário de Estado americano, Mike Pompeo. Segundo o chefe da diplomacia americana, seu país tratou com a Rússia mais de 30 vezes sobre o tema das supostas violações ao tratado. /AFP e AP 



 

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