Maxim Shemetov/Reuters
Maxim Shemetov/Reuters

Rússia teme aumento da violência com queda de Assad, diz Putin

Presidente russo reconhece que são necessárias mudanças na Síria e apoia um acordo que encerre a guerra civil

AE, Agência Estado

20 de dezembro de 2012 | 11h49

MOSCOU - A Rússia reconhece que são necessárias mudanças na Síria, mas teme que a saída do presidente Bashar Assad possa mergulhar o país num estado de violência ainda mais profundo, afirmou, nesta quinta-feira, 20, o presidente russo Vladimir Putin.

A avaliação russa foi divulgada apenas uma semana depois de o principal enviado russo para a Síria ter sido citado dizendo que as forças de Assad estavam perdendo o controle do país. Embora o Ministério de Relações Exteriores tenha recuado do comunicado, analistas indicam há meses que o Kremlin está conformado em perder seu antigo aliado.

Durante sua coletiva de imprensa anual, Putin disse que Moscou apoia um acordo que "evite a quebra do país e encerre esta guerra civil sem fim". "Acordos baseados numa vitória militar não podem ser eficientes", disse ele.

A Rússia tem repetidamente bloqueado as tentativas internacionais de elevar a pressão sobre o regime de Assad, que luta contra uma oposição cada vez mais armada. Essa atitude atraiu críticas substanciais para a Rússia, que efetivamente apoia o regime, mas o governo russo afirmou que sua posição não tem como objetivo dar apoio a Assad.

"Não estamos tão preocupados com o destino do regime de Assad. Sabemos o que está acontecendo por lá e que a família está no poder há 40 anos", disse Putin. "Sem dúvida, há um pedido por mudanças."

"Estamos preocupados com outra coisa: o que acontece a seguir", disse ele. "Não queremos ver a oposição chegar ao poder e iniciar um combate com o atual governo, que terá se tornado oposição, de maneira que a coisa se estenda para sempre."

A Rússia quer "que o povo sírio chegue a um acordo sobre como viverá e como vai assegurar sua segurança e sua participação no governo do país e, então, começar a mudança da atual ordem, tendo com base esse acordo."

As informações são da Associated Press

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