Rússia testa mísseis e critica EUA

Por mar, ar e terra, a Rússia lançou nesta sexta-feira uma bateria de testes de mísseis que sublinhou a força de suas forças balísticas em meio a uma crescente tensão com os Estados Unidos, envolvendo um escudo de defesa antimísseis. Os testes ocorreram no momento em que um alto oficial do Ministério da Defesa acusou a admnistração do presidente norte-americano George W. Bush de se engajar numa retórica "anti-Rússia" e basear sua proposta de um sistema nacional de defesa antimísseis em "pura fantasia".Otan Os lançamentos russos foram realizados poucos dias antes de uma planejada visita do chefe da Otan, cuja expansão para o oriente preocupa o Kremlin.A Rússia está especialmente preocupada com a possibilidade de ex-repúblicas soviéticas no Báltico entrarem para a Otan, o que deixaria o vital enclave russo de Caliningrado cercado pela aliança, e a Otan a cerca de 160 quilômetros de São Petersburgo.TopolAs Forças Armadas da Rússia lançaram um míssil balístico intercontinental Topol da base de Plesetsk, no noroeste russo, e um míssil balístico de tipo não especificado de um submarino no mar de Barents, na costa norte do país. Acredita-se que o Topol, utilizado desde meados da década de 80, e uma versão avançada chamada de Topol-M, serão a espinha dorsal das forças balísticas russas nos próximos anos.A geração atual dos mísseis Topol pode carregar apenas uma ogiva nuclear, mas o comandante das Forças de Mísseis Estratégicos, general Vladimir Yakovlev, tem dito que eles podem ser adaptados para transportar múltiplas ogivas, caso os Estados Unidos levem à frente sua proposta de criar um sistema nacional de defesa antimísseis.Escudo antimíssilO governo norte-americano alega que pretende construir o escudo espacial para proteger seu território de "países irresponsáveis", entre os quais relaciona Coréia do Norte, Irã e Iraque. E acusa a Rússia de vender indiscriminadamente armas nucleares.O diretor de Cooperação Internacional do Ministério da Defesa russo, Leonid Ivashov, afirmou, num duro ataque aos EUA, que o escudo antimíssil norte-americano tem como alvo o potencial balístico da Rússia e da China e "vai desatar uma corrida armamentista pior do que a guerra fria".

Agencia Estado,

16 de fevereiro de 2001 | 18h03

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.