Rússia testa novo míssil em resposta à Otan

Putin diz que ação é necessária em razão do reforço de tropas da aliança no leste europeu

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2014 | 02h03

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou ontem que a Rússia precisa manter suas armas de dissuasão nuclear para fazer frente ao que ele considera crescentes ameaças à segurança do país. A afirmação foi feita depois que Moscou testou um míssil nuclear intercontinental.

No atual momento, em que as relações do Kremlin com o Ocidente estão abaladas por causa da crise no leste da Ucrânia, Putin assumiu também o controle de uma comissão que supervisiona a indústria da defesa e fez um novo apelo para que seu país dependa menos de equipamentos importados do Ocidente.

Ele afirmou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) usa a retórica em relação à crise na Ucrânia para "se ressuscitar", e ressaltou que a Rússia advertiu reiteradamente que terá de responder por essa atitude.

Pouco antes do pronunciamento de Putin, a Rússia testou com sucesso um novo míssil intercontinental Bulava lançado de um submarino, uma arma de 12 metros de comprimento capaz de provocar uma explosão nuclear até 100 vezes mais potente do que a bomba atômica que devastou Hiroshima em 1945.

"Precisamos de uma avaliação confiável e completa das ameaças potenciais à segurança militar da Rússia. Para cada uma dessas ameaças, será encontrada uma resposta adequada, suficiente", afirmou Putin numa reunião no Kremlin com funcionários do Departamento de Defesa russo.

"Em primeiro lugar, estamos falando da criação de uma série racional de capacidades de ataque, que inclui a preservação de uma solução garantida para a tarefa da dissuasão nuclear."

O líder disse que nos próximos anos a Rússia precisa garantir o desenvolvimento de armas de grande precisão, mas ressaltou: "Alguém pode querer iniciar uma nova corrida armamentista. Nós não tomaremos parte nisso, evidentemente".

O comandante naval russo, almirante Viktor Chirkov, disse que o lançamento do Bulava foi feito do Mar Branco, na costa noroeste da Rússia, e que o míssil atingiu seu alvo no extremo oriente da Rússia.

"Em outubro e novembro deste ano, a frota naval realizará outros dois lançamentos com dois cruzadores dotados de foguetes equipados com mísseis balísticos", noticiou a agência Interfax citando Chirkov.

Um míssil Bulava pesa 36,8 toneladas, tem um alcance de 8 mil quilômetros e transporta até 10 ogivas nucleares. Construído para ser o elemento fundamental das forças nucleares russas até o fim da década, seu desenvolvimento foi atrasado em razão do fracasso de vários testes.

A Rússia prevê gastar mais de 20 trilhões de rublos (US$ 536 bilhões) na modernização do seu Exército, que ainda conta em grande parte com armas e tecnologias da era soviética.

Putin reiterou que Moscou encontrará maneiras de substituir as importações para a indústria da defesa que perdeu por causa das sanções impostas pela União Europeia e pelos Estados Unidos em razão da crise na Ucrânia.

"Não estamos planejando parar intencionalmente a cooperação com os nossos parceiros estrangeiros, mas nossa indústria deve ser capaz de produzir equipamentos, componentes e materiais de importância crucial", afirmou o presidente. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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