Rússia, Ucrânia e Europa comemoram acordo sobre gás

Moscou retomará fornecimento para Kiev após pagamento de parcela de dívida; remessa para a Europa será feita pela Ucrânia

O Estado de S. Paulo

31 de outubro de 2014 | 12h24

MOSCOU/KIEV - O presidente russo, Vladimir Putin, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, François Hollande, e o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, comemoraram, em uma teleconferência, um acordo sobre o fornecimento de gás para a Ucrânia, disse o Kremlin nesta sexta-feira, 31.

"Os líderes saudaram os acordos alcançados sobre as condições do fornecimento e o trânsito de gás natural russo para a Ucrânia. Esse é um passo importante no contexto de assegurar o futuro trânsito ininterrupto de gás para a Europa", disse a secretaria de imprensa do Kremlin em um comunicado.

A Rússia vai retomar o fornecimento de gás natural para a Ucrânia depois que Kiev pagar a primeira parcela da dívida do abastecimento na próxima semana. Alexei Miller, chefe da Gazprom, gigante de gás natural controlada pelo governo russo, fez a declaração horas após a assinatura do acordo de US$ 4,6 bilhões entre Rússia, Ucrânia e União Europeia (UE).

De acordo com Miller, a Gazprom espera receber a primeira parcela de US$ 1,45 bilhões de Kiev antes do final da próxima semana. No acordo, a Ucrânia se comprometeu a pagar os US$ 3,1 bilhões da dívida de gás antes do final do ano e a pagar antecipadamente pelo fornecimento de gás russo até março.

A Ucrânia vai pagar US$ 378,00 por mil metros cúbicos de gás russo até o final do ano e o preço deve cair ligeiramente no primeiro trimestre de 2015.

O primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, disse que a Ucrânia iria garantir o trânsito das remessas de gás para a Europa através do gasoduto que atravessa o país, de modo a não proporcionar à Rússia uma oportunidade de fazer "chantagem".

Yatseniuk, que falava com autoridades ucranianas do setor de energia, criticou o projeto russo chamado Fluxo Sul, que visa transportar gás russo através do mar Negro para a Europa. "A Ucrânia não vai dar à Rússia os meios para chantagear Ucrânia e Europa com diferentes fluxos (de gás)", afirmou ele.

O acordo aliviou os temores de que a Europa iria sofrer com o frio neste inverno como aconteceu em 2009, quando um desentendimento sobre projeto de gás da Ucrânia levou a Rússia a cortar os fornecimentos de energia na Europa por quase duas semanas.

Moscou alega que a Ucrânia deve US$ 5,3 bilhões referentes a abastecimentos de gás anteriores, enquanto a Ucrânia só reconhece uma dívida de US$ 3,1 bilhões, com base em um preço de desconto que Moscou ofereceu ao então líder ucraniano e anulou depois que ele deixou o poder. / AP e REUTERS

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