Rússia usa tática dupla para Afeganistão

Moscou oferece ajuda contra Taleban, mas repele EUA em suas fronteiras

Megan K. Stack, Los Angeles Times, MOSCOU, O Estadao de S.Paulo

20 de fevereiro de 2009 | 00h00

Ao que tudo indica, a Rússia tem uma mensagem ao governo Barack Obama: vá em frente e aumente suas iniciativas militares no Afeganistão - mas com a nossa ajuda.Nas últimas semanas, as autoridades russas apressaram-se em oferecer ajuda logística à Otan no Afeganistão, ao mesmo tempo que vasculhavam seu orçamento já reduzido para oferecer mais de US$ 2 bilhões ao Quirguistão, numa aparente recompensa por fechar uma base militar crucial para os EUA em sua guerra contra o Taleban.A Rússia está dividida entre dois impulsos conflitantes. Ela não confia nos EUA, principalmente no que se refere à presença de americanos em países outrora soviéticos. Mas a sensação de invulnerabilidade de Moscou foi abalada pela queda dos preços do petróleo e pela precariedade de sua economia. O Kremlin procura uma abertura para agradar ao Ocidente e o Afeganistão, onde a instabilidade representa um perigo também aos russos, é uma oportunidade de abertura."Eles criam os problemas e depois os resolvem", diz Ariel Cohen, pesquisador da Fundação Heritage. "É uma estratégia inflexível, específica, com a qual procuram maximizar e lucrar com seu peso geopolítico."É por isso que as autoridades russas oferecem ajuda com uma mão e castigam com a outra. "Elas percebem uma ameaça da parte dos EUA onde ela não existe e não se dão conta da escala real da ameaça que vem do fundamentalismo islâmico", disse Sergei Arutyunov, presidente do Instituto de Etnologia e Antropologia de Moscou. "Elas dizem concordar com as tentativas de combater essa ameaça, mas estão mais temerosas sobre a presença americana perto de suas fronteiras." Em um ponto os analistas concordam: a Rússia precisa de um Afeganistão pacífico. Teme-se que uma maior deterioração no Afeganistão possa contagiar países do outro lado da fronteira, na montanhosa região da Ásia Central, até as portas da Rússia, onde vive uma considerável minoria muçulmana.

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