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Rússia vai esperar até que novas sanções dos EUA se tornem lei para avaliar situação

Kremlin diz que projeto ameaça ‘destruir as perspectivas de normalização’ das relações entre Washington e Moscou; decisão preocupa União Europeia, pois permitiria punir empresas do bloco

O Estado de S.Paulo

26 Julho 2017 | 15h03

MOSCOU - A Rússia indicou nesta quarta-feira, 26, que vai esperar até que a adoção de novas sanções, aprovada pela Câmara dos Deputados dos EUA, torne-se lei para avaliar a questão, alertando que o projeto ameaça "destruir as perspectivas de normalização" das relações com Moscou.

"Como se trata de um projeto de lei, não vamos proceder uma apreciação substancial neste momento", declarou à imprensa o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. "Vamos esperar que este projeto de lei se torne lei.”

Aprovado quase por unanimidade pelos representantes americanos na véspera, o texto em questão também preocupa a Europa, uma vez que permitiria punir empresas do bloco. Os Estados-membros da União Europeia (UE) discutem uma resposta a Washington, nesta quarta-feira, em Bruxelas.

O projeto também inclui sanções ao Irã, especialmente contra a Guarda Revolucionária, acusada de apoiar o terrorismo, e a Coreia do Norte, por seus testes nucleares. Teerã considerou a aprovação do projeto uma "ação hostil" que pode prejudicar a aplicação do acordo sobre o programa nuclear iraniano de julho de 2015, de acordo com o vice-chanceler Abbas Aragshi, em declarações à agência de notícias iraniana Isna.

Já em Moscou, o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Riabkov, citado pela agência de notícias TASS, declarou que "o que está acontecendo não entra no senso comum. Os autores e patrocinadores desse projeto de lei dão um passo muito grave na direção de uma destruição das perspectivas de normalização das relações com a Rússia".

Ele assegurou, no entanto, que Moscou vai "trabalhar na busca dos meios para avançar, (...) e para encontrar compromissos sobre os temas que são importantes para a Rússia, e creio que também para os EUA: a luta contra o terrorismo e a proliferação das armas de destruição em massa".

O texto justifica as sanções à Rússia por sua suposta interferência na campanha eleitoral americana de 2016, assim como pela anexação da Crimeia e pelas ingerências na Ucrânia. Neste contexto, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, comemorou no Twitter a "importante decisão". "O preço a pagar pela agressão deve ser maior!", declarou ele na rede social.

O consenso no Capitólio foi quase total. A proposta foi aprovada por 419 votos a favor e 3 contra. O texto ainda deve passar pelo Senado para sua adoção definitiva, o que deve acontecer provavelmente antes de meados de agosto.

O projeto de lei prevê um mecanismo inédito que incomoda particularmente a Casa Branca: os congressistas poderão se interpor, se o presidente Donald Trump decidir suspender as sanções à Rússia. Se o texto for aprovado no Senado, Trump ainda pode vetá-lo, mas o Congresso necessitará de uma maioria de dois terços, em nova votação, para fazê-lo valer.

"Apesar de o presidente apoiar sanções severas contra Coreia do Norte, Irã e Rússia, a Casa Branca estuda este projeto de lei e espera uma versão final", declarou a porta-voz da Presidência americana, Sarah Huckabee Sanders.

Preocupação

De Paris a Berlim, passando por Bruxelas, a iniciativa do Congresso americano incomoda por ser unilateral, sem qualquer coordenação com a União Europeia, como era o caso das sanções impostas à Rússia até o momento.

Em um comunicado, a Comissão Europeia se disse preocupada com "o possível impacto na independência energética da UE" e com "suas consequências políticas negativas possíveis", lembrando a importância de coordenar a política de sanções entre todos os países do G-7.

"A unidade do G-7 a respeito das sanções é de suma importância", havia indicado na segunda-feira o porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas. Ele ressaltou que o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, sinalizou na última cúpula do G-20 que a UE está pronta para agir.

A lei americana permitiria a Trump sancionar empresas europeias que trabalham em oleodutos procedentes da Rússia, limitando, por exemplo, seu acesso a bancos americanos e excluindo-as dos mercados públicos nos EUA.

Até o momento, Washington e Bruxelas haviam delimitado uma linha vermelha, a fim de impedir que as sanções afetassem o abastecimento energético da Europa. Em uma aparente concessão, a Câmara de Deputados dos EUA modificou ligeiramente um artigo, de modo que as sanções sejam dirigidas apenas aos oleodutos de origem russa, deixando de fora os que se originam no Cazaquistão ou que apenas atravessam o território russo. / AFP

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