Russos descobrem sofisticado vírus de computador

Arma cibernética mais letal da história da informática, segundo analistas, afeta sistemas no Oriente Médio

Gustavo Chacra, Correspondente, Nova York,

28 de maio de 2012 | 21h09

NOVA YORK - Um dos vírus mais sofisticados da história da informática atingiu uma série de computadores ao redor do Oriente Médio com a intenção de espionagem e sabotagem de órgãos governamentais e militares. A descoberta foi feita pela empresa de segurança cibernética Kaspersky Lab, da Rússia, que ainda tenta decodificar o programa capaz de infectar algumas das máquinas mais protegidas do mundo.

De acordo com especialistas russos, o vírus, denominado Flame, é bem mais poderoso do que o Stuxnet, responsável por sabotagens no programa nuclear iraniano entre 2009 e 2010. "Essa é a arma cibernética mais sofisticada criada em toda a história", declarou a empresa em comunicado.

A suspeita, assim como no caso anterior, é de que um Estado esteja por trás do desenvolvimento do programa. Os alvos são Irã, Arábia Saudita, Síria, os territórios palestinos, Líbano e Egito, levando alguns analistas a afirmar que os serviços de espionagem de Israel ou dos EUA sejam os responsáveis pelo desenvolvimento do vírus.

Responsabilidade. No caso do Stuxnet, os israelenses nunca confirmaram e tampouco negaram o envolvimento na ação que danificou algumas centrifugas iranianas.

O vírus, segundo a Kaspersky, é capaz de coletar e deletar informações, além de conseguir ativar microfones de outros computadores que, mesmo desligados, podem gravar a conversa de pessoas.

"É fantástica e incrível a complexidade do vírus. A quantidade de códigos é tamanha que ninguém detectou a existência do Flame em dois anos", afirmou Alexander Gostev, chefe de segurança da empresa russa. De acordo com ele, a Kaspersky Lab, que é uma das mais conceituadas do mundo, "demorou seis meses para analisar o Stuxnet".

Na avaliação de Gostev, o Flame "é 20 vezes mais complexo" do que o Stuxnet, "Acho que precisaremos de pelo menos dez anos para entender tudo", acrescentou o analista ao comentar sobre a nova arma cibernética, que também é conhecida como Wiper ou Viper, apesar de alguns analistas, incluindo os da Kaspersky, os colocarem em grupos separados.

O Ministério do Petróleo do Irã, país que foi alvo de 198 ataques do Flame, pediu para que a União de Telecomunicações Internacional da ONU investigue ataques contra seus sistemas, incluindo roubo de dados.

Instalação. De acordo com os russos, o vírus instala, inicialmente, um programa de seis megabytes, antes de contaminar o computador com o restante. Eles não sabem, no entanto, como a arma cibernética atinge as máquinas.

 

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