Russos dizem que mensagem vincula Bin Laden a chechenos

A mensagem atribuída a Osama bin Laden e divulgada ontem pela rede de televisão árabe Al-Jazira confirma que a guerrilha islâmica dos separatistas chechenos "faz parte de uma rede terrorista internacional" vinculada ao milionário saudita, afirma o Kremlin. "As ameaças de Bin Laden à coalizão antiterrorista, incluindo a Rússia, soam como uma última advertência aos ambientes que, no Ocidente, continuam sendo prisioneiros de suas próprias ilusões e sugerem que a Rússia inicie negociações políticas, na Chechênia, com os envolvidos em crimes contra a humanidade", disse Sergei Iastrzhembski, porta-voz do presidente Vladimir Putin para a questão chechena. Na fita casssete atribuída a Bin Laden, o líder saudita elogiou o seqüestro, no mês passado, de centenas de pessoas, perpetrado por um comando checheno em um teatro de Moscou, e condenou a atuação do Exército russo na Chechênia. A suposta mensagem de Bin Laden despertou diversas reações na Câmara de Deputados (Duma) russa. O presidente da Duma, Guennadi Selezniov, propôs uma resposta comum dos serviços secretos de todos os países que participam da "coalizão internacional antiterrorista".O presidente da comissão de Defesa, Andrei Nikolaiev, ex-comandante do corpo da guarda fronteiriça russa, advertiu que Bin Laden é o símbolo de "um fenômeno novo, uma guerra terrorista mundial que tem todos os elementos e as conseqüências próprias de uma guerra". O deputado Dmitri Rogozin, que preside a comissão de Relações Exteriores e faz parte do círculo de Putin, expressou preocupação de que o milionário saudita "ainda esteja livre", embora tenha admitido que sua captura apresenta enormes dificuldades. Para o deputado ultranacionalista Aleksiei Mitrofanov (extrema direita), Bin Laden é "cada vez mais um personagem virtual" e um espectro que "continua operando segundo os interesses da CIA". Segundo Sergei Markov, um analista próximo ao Kremlin, "não é importante" verificar a autenticidade da gravação, tampouco saber ?se Osama está vivo ou morto", uma vez que o líder "é simplesmente a estrela mais brilhante de uma rede real de grupos terroristas". "(Bin Laden) não representa uma guerra pessoal e, sim, a enfermidade de uma civilização", acrescentou.

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