Russos identificam o suspeito de matar controlador de vôo

Atormentado por sua perda, um russo que combina perfeitamente com a descrição do homem preso sob suspeita de ter assassinado um controlador de vôo na Suíça, visitava várias vezes por dia as sepulturas de sua mulher e seus dois filhos, mortos num acidente aéreo. Mas Vitaly Kaloyev, como revelaram hoje seus parentes, nunca falou em vingança. E é ?um homem muito culto ? ele nunca se permitiria fazer isso?, assegurou Konstantin Kaloyev, considerado o chefe do clã Kaloyev em Vladikavkaz, uma cidade nas Montanhas do Cáucaso. onde os laços de sangue são muito fortes. Mas já há quase certeza de que são o mesmo homem.A polícia suíça recusou-se a identificar o suspeito, que foi preso ontem, enquanto é investigado o assassinato do controlador de vôo a facadas. Mas confirmou que ele tem 48 anos, cabelos pretos, é estrangeiro e perdeu mulher, um filho e uma filha em 2002, quando um avião de passageiros russo coincidiu em pleno ar com um cargueiro ? um acidente que matou 71 pessoas, entre ela, 45 crianças russas. Como é certo que se trate de um russo ? a própria embaixada da Rússia em Berna já admitiu que recebeu autorização para visitar o preso - a descrição não deixa muitas dúvidas, segundo uma advogada que representa as famílias das vítimas. O outro suspeito possível seria Valdimir Savchuc, que também perdeu mulher, filho e filha no acidente. Ele, entretanto, não deixou sua casa na cidade de Ufa, na região dos Urais, e é louro, na descrição da advogada Yulia Fedotova.?Foi um choque para todos nós?, disse Konstantin Kaloyev, chefe do hospital pediátrico de Vladikavkaz. ?Ele continuou de luto embora nossa tradição determine apenas 40 dias, ou no máximo um ano.?Depois da morte de sua família, Vitaly dedicou-se totalmente a elaboração do túmulo, marcado por uma grande pedra de granito negro, entalhada dos dois lados com fotos de corpo inteiro da mulher Svetlana, o filho. Konstantin e a filha, Diana?Ele fez os operários trocarem a pedra duas vezes porque viu pequenas rachaduras nela?, contou Kaloyev, o chefe do clã. ?Ele visitava o túmulo três a quatro vezes por dia?, acrescentou a advogada Yulia. ?Ele estava de luto profundo, mas nunca fez qualquer ameaça.?Vitaly estava trabalhando como arquiteto na Espanha, construindo uma casa particular na época do acidente. E sua mulher e filhos iam visitá-lo naquela noite em que os dois aviões se chocaram. Na mesma noite em que o controlador de vôo Peter Nielsen trabalhava sozinho na torre e foi responsabilizado pelo acidente ? ele só avisou os aviões da proximidade entre eles segundo antes de se chocarem e deu a ordem fatal ao avião russo: descer, quando o sistema de bordo aconselhava subir.Vitaly foi ao local da queda e encontrou o corpo de sua filha quase intacto. ?Minha filha caiu na terra como um anjo; seu corpo não estava machucado?, ele disse numa entrevista depois do desastre, que foi citada por vários jornais russos.Yulia disse que Vitaly tentou um encontro com o controlador, mas a direção do aeroporto recusou-se a agendá-lo. ?Naturalmente, Kaloyev esteva muito nervoso durante o encontro com a direção. Mas o assunto que discutíamos era muito sério e não se poderia esperar que um homem que perdeu toda sua família no acidente se comportasse de outra maneira. Mas ele nunca os ameaçou e comportou-se com muita dignidade.?Natalya Gabuyeva, uma vizinha de Vladikavkaz que era amiga dos Kaloyevs, acha que ele nunca se recuperou da perda.?No enterro, eu quase não consegui reconhecê-lo no velho que vi?, ela contou à Associated Press. ?Ele parecia completamente insano e não me reconheceu quando me encontrou mais tarde na rua.?Algum tempo depois Vitaly vendeu sua casa em Vladikavkaz e Natalya nunca mais o viu.Svchuk, o homem de Ufa que a mídia inicialmente apontou como suspeito da morte do controlador, condenou o assassinato em um entrevista levada ao ar pela rede russa NTV. Embora dizendo que o controlador deveria Ter enfrentado um julgamento, ele ofereceu suas condolências à família. ?O assassinato não pode ser justificado?, disse.

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