Russos têm seu próprio Obama

Jean Gregoire Sagbo faz história e torna-se o primeiro político negro a ser eleito na Rússia

AP, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2010 | 00h00

A população da cidade de Novozavidovo, na Rússia, costumava olhar fixamente para Jean Gregoire Sagbo porque nunca havia visto um negro. Agora, enxergam nele algo igualmente raro: um político honesto. No mês passado, Sagbo tornou-se o primeiro negro eleito para um cargo público na Rússia.

Em um país onde o racismo é arraigado e frequentemente violento, a eleição de Sagbo para ser um dos dez conselheiros municipais da cidade de 10 mil habitantes é um marco. O africano, de 48 anos, nascido em Benin, é visto simplesmente como um russo que se importa com o lugar onde vive. "A pele dele é negra, mas ele é russo por dentro", diz o prefeito de Novozavidovo, Vyacheslav Arakelov.

Sagbo não é o primeiro negro na política do país. Outro imigrante africano, Joaquin Crima, de Guiné-Bissau, concorreu à chefia de um distrito no sul da Rússia em 2009, mas foi derrotado. Ele era chamado pela mídia de "Obama da Rússia". Agora, o apelido está sendo repassado para Sagbo, apesar de sua relutância. "Meu nome não é Obama. Isso é sensacionalismo", disse.

Sagbo imigrou para Moscou em 1982 para estudar economia. Lá, conheceu sua mulher, nascida em Novozavidovo. Em 1989, ele se mudou para a cidade, cerca de 100 quilômetros ao norte da capital, para poder ficar próximo dos sogros.

Não há dados oficiais sobe a população negra da Rússia, mas estudos estimam que existam cerca de 40 mil "afro-russos". Muitos são atraídos ao país pelas boas universidades, mais baratas do que as do Ocidente.

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