AP Photo/Manuel Balce Ceneta
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Ryan diz que pode não presidir convenção republicana, em julho

Líder republicano na Câmara responde a Trump; magnata recua em proposta fiscal

O Estado de S.Paulo

10 Maio 2016 | 04h33

O presidente republicano da Câmara dos Deputados americana, Paul Ryan, afirmou que, se Donald Trump quiser, ele renunciará ao cargo de presidente da Convenção Nacional do partido, marcada para julho. O evento definirá oficialmente o candidato da legenda à presidência na eleição de novembro.

"Trump é o indicado. Farei tudo o que ele quiser no que diz respeito à convenção", afirmou Ryan ao ser indagado sobre essa situação numa entrevista ao Milwalkee Journal Sentinel. O depuado disse esperar que ele e Trump passem a se conhecer quando se reunirem no fim desta semana.

"Desejo conhecê-lo. Ainda não travamos contato", disse Ryan, que afirmou na última quinta-feira que ainda não estava "pronto" para apoiar o provável candidato de seu partido.

"Nunca disse nunca. Apenas disse (não) naquele momento. Queria mais tempo para conhecer Trump antes de me manifestar. Ainda não tivemos tempo para isso", afirmou.

Ryan disse que os comentários da semana passada correspondem ao que tinha em mente na ocasião. E descartou as críticas da defensora de Trump, Sarah Palin, de que ele está de olho na Casa Branca em 2020.

"Eu não teria me tornado presidente da Câmara se tivesse intenções para 2020. Se realmente quisesse disputar a presidência já o teria feito em 2012 e 2016. A função de presidente da Câmara não é exatamente um bom trampolim para a presidência do país. Acho que as pessoas que me conhecem sabem que não é minha aspiração."

Alternativas. Com Trump liderando as prévias do partido e os outros candidatos tendo desistido de buscar a indicação antes da convenção, Mitt Romney, candidato republicano à presidência em 2012 que escolheu Ryan como seu vice, vem sendo instado a cogitar uma possível entrada na disputa presidencial como candidato independente.

Para Ryan, no entanto, um candidato independente lançado pelos conservadores em 2016, "será um desastre para nosso partido. Comuniquei isto a inúmeras pessoas". O líder acrescentou que, ao assumir posição sobre Trump, seu objetivo é trabalhar a favor de uma verdadeira unidade partido, e não uma "falsa" união.

"Temos um Partido Republicano desunido. Não devemos jogar isso para baixo do tapete sem resolver", disse Ryan, que preferiu não detalhar quais seriam suas preocupações específicas em relação a Trump.

"Não quero ter uma conversa com Donald Trump por meio da mídia, mas manter um contato direto com ele em nome do partido e meu também. Permita-me dizer, ele merece crédito pelo enorme feito de trazer milhões de pessoas para o partido e ter obtido uma vitória impressionante. Por outro lado, quero me certificar de que não estamos fingindo que estamos unidos e chegarmos na eleição do fim do ano com metade da nossa força".

A declaração de Ryan na semana passada de que não estava pronto para endossar a candidatura de Trump deixou claro o cisma histórico dentro do partido quanto ao seu provável candidato - com presidentes e indicados se distanciando de Trump e parlamentares republicanos se esforçando para adotar uma posição que não afaste sua base ou os eleitores. Pat Tommey, senador republicano da Pensilvânia, publicou um artigo no domingo em que criticou Trump e sugeriu que pode não apoiá-lo. Trump disse ter ficado "surpreso" com a posição de Ryan.

Recuo. O provável candidato republicano voltou atrás ontem nos comentários que fez a respeito de um aumento de impostos para os americanos ricos, dizendo que eles podem simplesmente ter uma redução tributária menor do que aquela que propôs anteriormente.

No domingo, Trump disse que os impostos sobre os mais abastados dos EUA subiriam assim que suas amplas propostas de política fiscal, que incluem um abatimento de impostos para os ricos, fossem negociadas com o Congresso - um aparente rompimento com o apoio tradicional dos republicanos a impostos menores para todas as faixas sujeitas a tributação.

Ontem, no entanto, o magnata negou ter deixado implícito que está disposto a aumentar os impostos para pessoas em faixas de renda superiores em relação ao nível atual, afirmando que se referia a ajustes em potencial em sua própria política tributária.

"Posso ter de elevá-los (os impostos) para os ricos - não permitirei que sejam elevados para a classe média", disse Trump à CNN. "Agora, se eu aumentá-los para os ricos, isso significa que eles ainda continuarão pagando menos do que pagam atualmente. Estou falando de aumentá-los em relação à minha proposta tributária". / AP e REUTERS

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