Saá faz discurso populista e decide anular cortes de salários

O presidente da Argentina, Adolfo Rodriguez Saá, fez agora há pouco um discurso carregado de recados populistas na sede da Central Geral dos Trabalhadores (CGT), onde foi ovacionado por centenas de trabalhadores aos gritos "Adolfo, querido, o povo está contigo". Saá afirmou que o governo não vai dolarizar a economia argentina e muito menos desvalorizar a sua moeda. Ele disse ainda que a dolarização significaria entregar a soberania nacional e beneficiaria poucos setores em detrimento da grande maioria da população. Saá afirmou também que a desvalorização significaria diminuir o salário dos trabalhadores na mesma proporção da perda do valor do peso argentino. "Isso nós não vamos aceitar", afirmou. De acordo com ele, a terceira moeda que será criada no país permitirá gerar planos de justiça social. Interrompido várias vezes por gritos de guerra do sindicato e aplausos, o presidente afirmou que a emissão da nova moeda não será feita de forma irresponsável como muitos acreditam. "A terceira moeda terá respaldo de todos os bens do Estado", disse, e citou entre eles a Casa Rosada (sede do governo), palácios, casas e residências das embaixadas da Argentina espalhadas pelo mundo. "Desta vez o povo não será enganado, a partir de agora todos os argentinos terão o mesmos direitos. Se sofrermos vamos sofrer todos e se nos beneficiarmos vamos nos beneficiar todos", afirmou Saá. O presidente argentino disse também que o governo vai mandar um projeto de lei ao Congresso para abolir a lei trabalhista que foi aprovada no governo anterior. "Vou convidar todos os sindicatos para que freqüentem o Ministério do Trabalho para que, junto com o governo e com o setor privado, elaborem uma nova lei trabalhista", disse o presidente, que assumiu na semana passada depois da renúncia de Fernando de la Rúa. Antes de se dirigir à sede da GCT, os presidentes dos dois maiores sindicatos do país se dirigiram até a Casa Rosada para buscar o presidente Adolfo Rodrigues Saá e juntos se dirigiram até o sindicato. Esse forte sinal de apoio dos sindicalistas ao novo presidente deve servir para que o governo acelere as novas medidas econômicas e os planos sociais sem grande interferência dos trabalhadores, que, nos últimos dois anos decretaram oito greves gerais contra o governo De la Rúa.Leia o especial

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