Saakashvili assume Presidência da Geórgia e promete unir o país

'Pertenço a todo o povo, a cada um de vocês', disse em seu discurso o presidente recém-empossado

Efe,

20 de janeiro de 2008 | 16h11

Mikhail Saakashvili assumiu neste domingo, 20, a Presidência da Geórgia em uma cerimônia solene na qual prometeu unir o país e pediu que a oposição se junte a ele para construir uma pátria forte. "Diante de Deus e do povo, declaro que defenderei a Constituição da Geórgia, sua independência e sua integridade territorial", disse Saakashvili com a mão direita sobre um exemplar da Carta Magna, num palanque montado perto do Parlamento, na Avenida Rustaveli, a principal de Tbilisi, capital do país. Saakashvili chegou para tomar posse abrindo caminho por entre a multidão de partidários que agitavam bandeiras vermelhas e brancas, as cores do país. "Pertenço a todo o povo, a cada um de vocês", disse em seu discurso o presidente recém-empossado, que destacou que as eleições do dia 5 foram as "mais competitivas da história da Geórgia". Por sua vez, a oposição, que não reconhece os resultados das eleições presidenciais, promoveu neste domingo uma manifestação contra a posse de Saakashvili. Dezenas de milhares de opositores se reuniram no hipódromo de Tbilisi para exigir que Saakashvili abandone o cargo. "Não há presidente na Geórgia porque o povo não elegeu o impostor Mikhail Saakashvili", declarou o líder e candidato da oposição à Presidência, Levan Gachechiladze. Os opositores, que não reconhecem a legitimidade dos resultados das eleições presidenciais de 5 de janeiro, afirmam que Saakashvili não obteve a maioria absoluta necessária para ser eleito no primeiro turno, razão pela qual exigem a realização de um segundo turno com seu candidato, o segundo colocado. No entanto, as denúncias de fraude não foram confirmadas pela missão de observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que supervisionou o pleito. Segundo os dados oficiais, Saakashvili recebeu 53,47% dos votos, enquanto Gachechiladze obteve o apoio de 25,69% do eleitorado, bem mais que os outros cinco candidatos. "Misha (diminutivo de Mikhail), vá embora!", era o grito de ordem mais dado pelos mais de 100 mil manifestantes, segundo os organizadores do protesto. Gachechiladze garantiu que a oposição "não vai recorrer à violência nem a medidas radicais", mas enfatizou: "Obrigaremos Saakashvili a devolver o poder ao povo". Com estas palavras, o líder da oposição rejeitou o convite feito neste domingo por Saakashvili na posse. "Entendo que estejam descontentes com as eleições, mas a disputa já acabou. Temos apenas uma missão: construir uma Geórgia forte", ressaltou. Saakashvili disse que a política de entrada na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não vai contra os interesses dos países vizinhos e reiterou o interesse da Geórgia em manter boas relações com a Rússia, atualmente congeladas. "Estendemos uma mão de amizade à Rússia, estendemos uma mão de cooperação ao nosso vizinho do norte. Devemos ser amigos", disse Saakashvili, em cuja posse esteve presente o ministro de Assuntos Exteriores russo, Serguei Lavrov. Segundo o serviço de imprensa da Presidência georgiana, Saakashvili e Lavrov se reunirão para conversar sobre as atuais condições entre os dois países. O chefe da diplomacia russa se reunirá também com os líderes da Oposição. Outros convidados de honra também compareceram à posse, como os presidentes da Polônia, Lech Kaczynski; da Romênia, Traian Basescu; da Letônia, Valdis Zatlers; da Lituânia, Valdas Adamkus; e da Estônia, Toomas Hendrik Ilves. Os Estados Unidos, que têm a Geórgia como sua principal aliada no Cáucaso, foram representados pelo secretário de Comércio, Carlos Gutierrez. Ao término da cerimônia, houve uma parada militar com 2.500 soldados das Forças Armadas georgianas.

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